Passo Fundo 164 anos: da origem à emancipação
O município de Passo Fundo, que completa no dia 7 de agosto 164 anos de história, é hoje um dos mais importantes do Rio Grande do Sul. Para muitos foi lar temporário para a conclusão de um curso superior, ou para a realização de tratamentos de saúde, ou ainda para estabelecer residência pelas oportunidades de trabalho.
Mas para ser a referência que é atualmente houve um grande caminho percorrido, desde a “semente” plantada quando o primeiro morador aqui se estabeleceu, ainda no início do século 19, até se tornar um município exemplo em prestação de serviços de saúde e educação, com forte vocação no agronegócio e no comércio.
Esta história toda começou com as tropeadas que tinham aqui passagem obrigatória rumo à famosa feira de Sorocaba.
Como o local onde está Passo Fundo é no topo de uma coxilha, não há grandes rios, apenas algumas nascentes e isso facilitava para a passagem das tropas, principalmente mulas, que eram destinadas a Sorocaba onde havia uma grande feira famosa no Brasil”, explica o historiador Fernando Miranda.
Além de local de passagem, Passo Fundo era também local de parada para o pernoite, que em maior parte acontecia pela região onde hoje encontram-se as ruas 10 de Abril e Uruguai e que, não coincidentemente, está a fonte da Mãe Preta, pois era justamente a existência dessa fonte de água que fazia o local ser escolhido para a parada.
“Eles pernoitavam ali, porque tinha uma aguada boa e tinha também um mato, um capão, que depois foi chamado Mato do Barão, onde eles retiravam madeira para fazer fogo e onde também possivelmente colocavam o gado em dias de chuva”, ressalta Miranda.
Depois do pernoite, segundo ele, cedo da manhã, eles seguiam pela rua Lava Pés até o Colégio Fagundes dos Reis e então ingressavam onde hoje está a avenida Brasil, que era chamada de Estrada das Tropas, o que justifica também a largura da avenida, que foi forjada pela passagem de gado e mulas.
O fato de saíram cedo da manhã não se dava, no entanto, somente pela necessidade de aproveitar a luz do dia, mas também porque tinham a intenção de passar o quanto antes por Mato Castelhano, onde eram constantemente atacados pelos índios caingangues que viviam por ali.
Antes dos índios, a passagem pelo rio
Um dos fatos que fazia com que se apressassem ao sair cedo pela manhã se dá também à necessidade de atravessarem o rio.
Seguindo pela avenida Brasil, eles iam até o passo, no ‘passo fundo’, de onde teria surgido o nome do município, mas ainda não se tem certeza disso, é meio controverso. Eles passavam então esse passo, que era o espaço menos fundo do rio, que fica perto de onde hoje temos a prefeitura. Depois disso seguiam em direção onde está atualmente a BR 285”, salienta o historiador.
Após a empreitada, seguiam em direção ao local que era conhecido como Mato Português, depois o Campo do Meio, e então ao trecho que consideravam o mais perigoso, o Mato Castelhano, onde ficavam os índios.
O Cabo Neves
Por ser uma região de parada dos tropeiros, Passo Fundo acabou ficando um pouco conhecida e começou a se pensar na oportunidade de povoar a localidade. Assim, por volta de 1827 conta-se que chegou por aqui Manoel José das Neves, o Cabo Neves, que é tipo como um dos primeiros “moradores”.
Embora oficialmente na história da origem do município conste o nome do Cabo Neves, ele é um personagem ainda muito controvertido, segundo Miranda: “existem grandes pesquisas que já foram feitas e muitas ainda a fazer, porque não se sabe bem onde ele nasceu, onde morreu, que idade tinha, não há nada de quadro pintado. Enfim, é um personagem muito controverso e tem muita coisa para descobrir ainda”, destaca.
Porém, consta que que ele chegou aqui com esposa e filhos porque ganhou um terra que era equivalente a 17 mil hectares. De acordo com Miranda, Cabo Neves ganhou a terra do Comando Militar de São Borja e aqui fundou uma fazenda, na região onde hoje está a praça Tamandaré. Diz-se que a residência foi construída mais ou menos na esquina entre as ruas Teixeira Soares e Paissandu.
A freguesia de Passo Fundo
Com o passar do tempo gente principalmente oriunda da cidade de Castro, em Santa Catarina, mas que na época pertencia à São Paulo, começou a chegar em Passo Fundo, eram os chamados birivas ou paulistas, como conta o historiador: “o pessoal começou a construir casas, se fixar, comercializar com os tropeiros que passavam, assim também como com os habitantes da região.”
Com a vinda de paulistas, imigrantes e caboclos que estavam há muito tempo no interior, inicia-se então a povoação de Passo Fundo, “mas logo em seguida, em 1835 até 1845, aconteceu a Revolução Farroupilha, quando muita gente abandonou a nascente povoação e ela ficou realmente com muito poucas pessoas”, afirma.
Mas passada a revolução, as pessoas começam a voltar e em 1847, dois anos após o fim, Passo Fundo já é elevado à condição de freguesia, com o nome de Freguesia do Passo Fundo.
“E 10 anos depois, em 1857, em janeiro, é feita uma lei do governador do Estado, elevando Passo Fundo à condição de vila, isto é, emancipando politicamente a Vila de Passo Fundo”.
No entanto, apesar da lei ser de janeiro foi somente em 7 de agosto daquele ano que os vereadores eleitos foram empossados “e essa data passou a ser comemorada e celebrada em Passo Fundo como da emancipação, mas 7 de agosto é quando a Câmara toma posse. E, dos sete vereadores eleitos, o mais votado fazia o papel de prefeito, que foi o Capitão Araújo. Então ele foi o primeiro a governar a Vila de Passo Fundo”, explica Fernando Miranda.