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Cidade

Passo Fundo: 156 anos de história

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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Em 28 de janeiro, 156 anos atrás, o lagunense, jornalista, militar e político Jerônimo Francisco Coelho, então nomeado presidente da Província do Rio Grande do Sul, assinava a Lei 340 criando o município de Passo Fundo. Até aquela data, a Freguesia do Passo Fundo fazia parte do município de Cruz Alta, passando dali em diante a denominar-se Villa de Nossa Senhora da Conceição do Passo Fundo. Mas foi apenas em 7 de agosto, em Cruz Alta, que tomaram posse os sete primeiros vereadores eleitos em Passo Fundo, por isso é celebrada nesta data a emancipação. Como diz o Prof. Welci Nascimento, “se o 25 de janeiro foi a concepção, o 7 de agosto foi o nascimento”. 

Fato curioso é que dos sete vereadores só compareceram quatro, pois três alegaram problemas de saúde. Como o mais votado tinha sido o Capitão Manoel de Araújo, foi ele eleito Presidente da nova Câmara, passando a desempenhar o papel de “prefeito”, figura que não havia naquela época. A extensão do novo município era enorme, mais ou menos 80.000 km2, 8 milhões de hectares, ou seja, quase um por cento do território brasileiro. 
Por outro lado, a população, no Censo de 1858, era de apenas 8.208 habitantes em toda a área. Desses, 1.692 eram escravos, vinte por cento do total. Na Vila e sede, a população deveria ser de menos de 500 pessoas, considerando que eram 370 em 1853, aí contados os homens e mulheres livres, os libertos e os escravos. Evidentemente, naquela época a população indígena, muito maior, não era considerada. Antonino Xavier nos dá um retrato do movimento social daquele período: 
“Na época da emancipação, como não haviam clubes, os saraus eram realizados nas casas de família, onde o piano era o instrumento da época, geralmente tocado por membro da família… Havia, ainda, o jogo de carta, mas a principal diversão era a “carreirada”… A raia, primeiramente na Rua do Comércio, desde a 10 de abril até a Teixeira Soares…”. 

Iniciava, portanto, na hoje Praça da Mãe, passava em frente ao colégio Notre Dame, indo terminar aproximadamente em frente ao prédio da Academia Passo-fundense de Letras, atravessando quase toda a extensão da principal rua da vila.As ruas eram nomeadas até então pelos próprios moradores. Surgiram nomes espontâneos vinculados ao local, como Rua da Ponte (atual Dez de Abril), Rua das Flores (Teixeira Soares), do Comércio (Av. Brasil), nomes religiosos como de Santa Clara (Quinze de Novembro), de São Bento (Paissandu). 

No ano seguinte a Câmara oficializou esses nomes, mas tomou para si o poder de nomeação, iniciando um período em que os nomes das ruas seriam utilizados para legitimarem a história dos que estavam no poder. Também esse foi um período de entre guerras, pois doze anos antes havia terminado a Revolução Farroupilha e sete anos depois da emancipação Passo Fundo já enviaria um corpo de mais de quatrocentos homens para lutar na Guerra do Paraguai, dos quais alguns não voltariam e muitos voltariam mutilados.

Passada essa campanha, alguns anos depois sobreviria a Revolução Federalista de 1893-95, na qual Passo Fundo foi palco de importantes e decisivas batalhas.