Passo-fundeses são a favor do culto religioso mas contra sacrifício de animais: ritos devem evoluir
No último sábado o Sem Segredo, na Uirapuru, debateu o uso de animais em rituais religiosos, que voltou a tona no Rio Grande do Sul e tem causado polêmica no cenário político.
Proposto pela deputada estadual, Regina Becker (PDT), tramita projeto de lei que quer proibir o sacrifício de animais pelas religiões afro-brasileiras. A deputada alegou para proibir o sacrifício a o sofrimento causado aos bichos e uma questão de saúde pública, devido à decomposição dos mesmos nas ruas.
Os umbandistas contestam e lembram a inconstitucionalidade da proposta, já que a Constituição assegura o direito ao culto, em um estado laico, e acusam o projeto de ser discriminatório.
No estúdio estiveram presentes o Pai Duda de Ogum, representante da Associação de Povos de Terreiro e a integrante da ONG Amigo Bicho, Diane Tauffer. Abrindo o debate, Pai Duda, iniciou frisando que a Umbanda, religião brasileira, não sacrifica animais.
As sacralizações, conforme explicou, são realizadas por religiões de origem africanas e, ainda, por outras fés como a judaica e muçulmana. Registrando que só animais que pertencem à cadeia alimentar são sacralizados e que a carne é distribuída e consumida nos terreiros, transformada em alimento sagrado.
Além disso, ele afirma que cultuar uma religião é um direito no País e que o que ocorre, neste caso específico, é o preconceito e a hipocrisia. Ressaltando, ainda, que quem sacrifica animais fora de terreiros, realizam más práticas e não age de acordo com a religião e deve ser punido.
Para Diane Tauffer, protetora de animais, punir quem desvirtua a religião é essencial. Ela é a favor da liberdade de culto, mas frisa que é preciso averiguar onde são criados esses animais e de que forma são abatidos. Respeitar a fé sim, mas quem mal trata animais tem que responder legalmente afirma à protetora.
Para os ouvintes o sacrifício de animais deve ser combatido. A religião é um direito, mas deve evoluir, como o mundo evoluiu. Por isso, outras formas devem ser encontradas para se preservar os ritos.
Encerrando Pai Duda explicou que a Associação tem realizado um trabalho de conscientização com os terreiros, para que as más práticas sejam coibidas.