Passo-fundenses depositam mais R$ 1,3 milhão em empresa que operava com bitcoins e que foi fechada em Novo Hamburgo
A reportagem da Rádio Uirapuru apurou com exclusividade, que pelo menos, 111 investidores passo-fundenses aplicaram mais de R$ 1,3 milhão na empresa InDeal que foi fechada pela Polícia Federal e pela Receita Federal a uma semana na cidade de novo Hamburgo.
A empresa prometia rendimentos acima do mercado e desta forma atraíram investidores em 26 Estados da Federação, captando de mais de 800 milhões em investimentos.
A empresa investigada deveria fazer o investimento em criptomoedas, e através da moeda digital a empresa prometia rendimento de 15% ao mês, valor que é muito superior ao regularmente praticado no mercado porém, não havia garantia de que as pessoas recuperariam o dinheiro investido na empresa.
O que é Criptomoeda
De acordo Leandro Tessaro, Delegado da Receita Federal, a criptomoeda substitui o dinheiro em uma operação de troca. “Em grosso modo ela substitui a moeda convencional por uma moeda eletrônica que não existe fisicamente. Ela tem vantagens de ser mais dinâmica, não precisa de intermediários como governo ou um banco, todavia ela apresenta alguns problemas sérios, por exemplo, ela não tem uma regulamentação tão forte como existe no mercado financeiro de troca tradicional”.
O delegado ressalta que a criptomoeda existe e é tratada como uma moeda convencional, tem câmbio e cotação e porém no Brasil ela não tem uma regulamentação muito aprofundada.
A empresa InDeal
A empresa InDeal de Novo Hamburgo não é investigada pela negociação de criptomoedas, mas por atuar como se fosse uma instituição de investimento financeiro, porém sem ter autorização do Banco Central ou da Comissão de Valores Mobiliários. “Nesta operação em si, a empresa cometeu várias irregularidades que estão sendo investigados e o primeiro deles é trabalhar na área financeira sem autorização do Banco Central. Uma das questões que chama atenção é o rendimento muito acima do mercado oferecido pela empresa” disse Tessaro.
O delegado comentou ainda que os primeiros rendimentos prometidos foram garantidos aos investidores porém cessaram ao longo do tempo. “É uma operação muito incomum, com rendimentos muito difíceis de serem reproduzidos de forma sustentável, tanto é que nenhuma outra aplicação no mercado, seja de renda fixa ou variável oferece esse tipo de rendimento”.
De acordo com informações da Receita Federal, 288 municípios no Rio Grande do Sul possuem investidores na empresa InDeal. Os maiores depósitos ocorreram em Caxias do Sul, Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Passo Fundo possui investimentos na ordem de R$1,3 milhão. Já Não-Me-Toque possui R$1,5 milhão, Ibiraiaras R$ 1,6 milhão, Tapejara R$ 3,3 milhões e Erechim R$ 5,8 milhões investidos na empresa investigada.
Recuperação dos valores investidos
Leandro Tessaro explicou que para que os investidores possam recuperar os valores investidos existem duas situações. “Há uma ação penal e tributária porque existe uma movimentação financeira sem pagamentos de tributos pela empresa. Outra situação é a ação civil que os investidores terão que fazer. O caminho é procurar a Polícia Civil e registrar as ocorrências relatando supostas perdas ou fraude cometida pela empresa. É fundamental que os investidores procurem as autoridades e informem o capital investido comprovando a origem do dinheiro aplicado, trazendo algum recibo ou contrato de investimento com a empresa para tentar recuperar o investimento nesse capital que foi levantado” disse o delegado.
Empresas monitoradas em Passo Fundo
A Receita Federal informou que cruza informações financeiras disponíveis juntando a outros indícios de crimes que os órgão policiais tragam, porém é complexo para chegar a uma operação como a realizada em novo Hamburgo. “Temos alguns casos que monitoramos, e tem uma construção probatória para que possa haver alguma prisão ou ação mais contundente, porém é uma área que nos preocupa, pois a criptomoeda surgiu muito forte, despertando a cobiça e a esperança do dinheiro fácil e isso acaba deixando pessoas suscetíveis a crimes dessa natureza” concluiu o delegado.