Paraná e Santa Catarina podem ganhar força no mercado gaúcho da erva-mate após aumento do ICMS
A partir de 1º de abril, os amantes do chimarrão, símbolo tradicional do Rio Grande do Sul, sentirão um impacto significativo em seus bolsos. O motivo é o novo decreto assinado pelo governador Eduardo Leite (PSDB), que aumenta a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a erva-mate em 4 pontos percentuais, passando de 8% para 12%.
Essa mudança representa um aumento de 10% no preço do quilo da erva, estimado pelo Sindicato da Indústria da Erva-mate (Sindimate). A decisão do governo estadual tem gerado preocupações entre os produtores e industriais do setor.
Em entrevista na Uirapuru, o presidente do Sindimate, Álvaro Pompermayer, expressou sua apreensão diante das consequências do aumento do ICMS. Ele ressaltou que a indústria de erva-mate já enfrenta uma defasagem acima de 10%, o que dificulta qualquer repasse de custos adicionais para os consumidores.
Pompermayer enfatizou que a atual conjuntura econômica, com baixo consumo e margens de lucro reduzidas, torna inviável absorver mais encargos tributários. Além disso, ele alertou para um possível cenário de fortalecimento da indústria em estados como Paraná e Santa Catarina, onde as alíquotas de ICMS permaneceram inalteradas. Isso poderia resultar em uma perda de mercado para as empresas gaúchas, aumentando os desafios enfrentados pelo setor no Rio Grande do Sul.
O presidente do Sindimate salientou a importância de respeitar o consumidor, que desempenha um papel fundamental na sustentação de qualquer setor econômico. Ele afirma que a perspectiva para o mercado da erva-mate é sombria, com a expectativa de um aumento significativo nos preços para os consumidores. Essa medida, segundo Pompermayer, poderia afetar toda a cadeia produtiva, tornando o chimarrão um luxo inacessível para muitos gaúchos.
Ele concluiu ressaltando a necessidade de a indústria encontrar alternativas para superar os desafios impostos pelo aumento do ICMS, visando a manutenção e o fortalecimento dessa tradição tão enraizada na cultura gaúcha.