Para sindicato dos professores, atraso do encerramento do ano letivo é responsabilidade do governo do Estado
A greve por tempo indeterminado de professores e funcionários de escolas da rede estadual vai atrasar o encerramento do ano letivo de muitas instituições. Pelo calendário da Secretaria Estadual da Educação, as aulas terminariam no dia 22 de dezembro.
As instituições de ensino são obrigadas a cumprir, no mínimo, 200 dias letivos e carga anual de 800 horas para o Ensino Fundamental e 1.000 horas para o Ensino Médio.
Em entrevista à Uirapuru, o presidente do CPERS Passo Fundo, professor Orlando Marcelino, destacou que a responsabilidade pelo prejuízo ao ano letivo é do governo do Estado. Ressaltou que a categoria passou o ano inteiro avisando o governador José Ivo Sartori sobre os problemas enfrentados com o parcelamento dos salários. Como não aguentava mais foi decidida pela paralisação das atividades.
Conforme o sindicalista, oito escolas de Passo Fundo estão em greve total, 10 em greve parcial (adesão de 50% dos docentes) e nas demais, apesar das aulas continuarem, há grevistas. Alguns professores em greve retornaram às instituições de ensino nessa semana somente para acompanhar os alunos na Jornadinha Nacional da Literatura.
Orlando frisou que Sartori teve a oportunidade de resolver o impasse no início desse mês, mas piorou a situação com o projeto de recuperação fiscal, que prevê o congelamento dos salários dos servidores públicos e dos concursos, pelo período de 20 anos.
Para o presidente do CPERS, o acordo da dívida do Rio Grande do Sul com a União prorroga a situação de penúria dos professores e funcionários. Salientou que não é só o ano letivo 2017 que será prejudicado, mas a educação nos próximos anos. Ele acredita que muitos vão desistir de trabalhar no Estado.