Para passo-fundenses protestar nu não é a melhor forma de reivindicar direitos
A capital gaúcha tem sido palco de manifestações polêmicas nas últimas semanas. Alegando protestar sobre a situação do País e por direitos civis, quatro pessoas, três mulheres e um homem, correram e caminharam sem roupa, por locais públicos de grande movimentação em Porto Alegre. As cenas inéditas dividem opiniões, para muitos a liberdade de se expressar deve ser respeitada, já para outros, a ideia destas pessoas é apenas aparecer e chocar a sociedade.
De acordo com o Código Penal brasileiro, andar sem roupa em vias públicas pode ser considerado ato obsceno e, portanto crime. Para saber o que pensam os passo-fundenses sobre esse assunto, o Sem Segredo deste sábado trouxe ao estúdio da Rádio Uirapuru, a psicóloga, Ana Maria Migot e a professora Bibiana Sanches, integrante da União Brasileira de Mulheres. Para a professora, o corpo pode ser utilizado como instrumento de protesto, desde que não ofenda a comunidade. Ela inclusive questionou a abordagem policial nos casos gaúchos, onde não se procurou saber o motivo real dos protestos. Segundo frisa é um direito de cada cidadão usar seu corpo, desde que a bandeira levantada seja válida, ressaltando que até hoje para sociedade o nu continua sendo um tabu.
Já a psicóloga Ana Maria Migot, fez um resgate histórico de protestos em que as pessoas se utilizaram da nudez, mostrando que os fatos ocorridos em Porto Alegre, não são novos. Revelando que, durante muitos períodos, era comum se utilizar o nu, e que nunca esse tipo de manifestação foi bem aceita pela sociedade. Registrando que em épocas muito conturbadas é comum fazer uso do apelo sexual e que de forma geral, a roupa não é uma agressão, mas sim uma proteção. Para a psicóloga é preciso se respeitar o espaço do outro e atentar para o fato de que as pessoas não têm direito a tudo, vivendo em sociedade todos precisam respeitar regras.
A maioria dos ouvintes se posicionou contra os manifestos de pessoas nuas. Alegando que existem melhores formas de protestar, com argumentos mais criativos e inteligentes, que não choquem a população.
Já os ouvintes que se manifestaram a favor dos pelados protestarem, afirmaram que o corpo é natural e que as pessoas nascem sem roupa. Só após, depois de adultos, é que se cria essa resistência ao nu.