Para ouvintes Bolsa Família é necessário, mas fiscalização deve agir com rigor
Na última semana, a presidente Dilma Roussef anunciou que dois milhões e meio de brasileiros que recebem o Bolsa Família terão um complemento de renda a partir do mês que vem. Em Passo Fundo inicialmente 171 famílias serão beneficiadas. Segundo o governo, elas estão abaixo da linha da pobreza extrema. A partir de agora, os beneficiários que tenham renda menor do que R$ 70 per capita (por pessoa) passarão a receber um complemento no benefício, para atingir este limite.
A notícia, que é boa para muita gente, também causa polêmicas e divergências. Quem não ganha o Bolsa Família, em grande parte, é contra o programa, considerado eleitoreiro e assistencialista. Para debater o tema, participaram do Sem Segredo o ex-secretário da Semcas, Adriano José da Silva e o advogado, Alberto Poltronieri.
De acordo com Silva, o Bolsa Família, hoje, é necessário, até por que o Brasil é signatário a convenção da ONU, onde nenhum cidadão do mundo pode receber menos do que um dólar por dia, até o ano de 2015. Essas iniciativas, que começaram em governos anteriores, trouxeram muitas pessoas da linha da pobreza para a classe media, declarou o ex-secretário.
Silva também declarou que o programa possui uma porta de saída, que são medidas que definem que todos os beneficiários tem que manter seus filhos na escola e freqüentar cursos profissionalizantes oferecidos gratuitamente.
Para Poltronieri, o programa é necessário, mas é preciso que oportunidades profissionais sejam oferecidas e que ele seja, adequadamente, fiscalizado para que não existam desvios.
O advogado ressalta, ainda, que o governo não deve fazer política eleitoreira em cima de um programa que é pago através da contribuição da população.
Os ouvintes dividiram opiniões, enquanto uns são a favor, pois sabem que a comunidade carente precisa de um auxilio, para abandonar a pobreza, outros questionam o comodismo e os desvios de verba. Muitos também levantaram a questão de que alguns dos beneficiados, na verdade, não precisariam do benefício.