Para maioria dos ouvintes, declaração de Eduardo leite sobre sua orientação sexual deve ser respeitada
Apesar dos avanços, a homossexualidade continua sendo um tabu. Nas redes sociais vemos ainda muitas manifestações de intolerância. Na contramão disso, a comunidade LGBT vem pisando no preconceito e ocupando cada vez mais cargos importantes na nossa sociedade. Uma declaração feita pelo governador Eduardo Leite (PSDB) na semana passada durante um programa de televisão foi um dos assuntos mais comentados no Twitter. Em um ato de coragem, o governador do estado, assumiu sua homossexualidade.
O trecho em que ele diz ao jornalista: “Eu sou gay. E sou um governador gay, e não um gay governador, tanto quanto Obama nos Estados Unidos não foi um negro presidente, foi um presidente negro”. E tenho orgulho disso”, ganhou manchetes nos principais portais de notícia do Brasil. Pois o político se torna o primeiro governador da história do Rio Grande do Sul assumidamente LGBT. Nesse sentido o sem segredo abordou o assunto no último sábado (03) e perguntou: o governador Eduardo Leite assumiu publicamente sua homossexualidade.
Que impacto essa declaração tem na política e no enfrentamento da discriminação e homofobia? Para o psiquiatra, Erico Hecktheuer, a declaração do governador Eduardo Leite mostra como ainda existe preconceito na sociedade. Relata que há cerca de 30 anos os homossexuais eram tratados como pessoas doentes, degeneradas, perversas. O conhecimento atual trouxe e está nos trazendo a ideia de uma normalidade e de um comportamento natural em assumir sua orientação, afirma o psiquiatra.
Conforme o psicólogo e professor, Wiliian Guimarães, já houve bastante avanços na sociedade graças aos movimentos sociais para a comunidade LGBT, mas infelizmente existe uma cultura muito preconceituosa. Quebrar com a lógica heterossexual não é uma tarefa fácil, especialmente para os adolescentes e jovens, de acordo com o psicólogo e professor.
De acordo com o jornalista e ativista LGBTQI A+, Cristian Puhl, a declaração do governador Eduardo Leite trouxe uma série de reflexões. Cristian destaca que compreende a declaração de Leite ao assumir oficialmente sua orientação sexual como um ato de coragem. Isso porque o Brasil é um dos países mais violentos e que mais mata população LGBT. Ao mesmo tempo, quando fala que é um governador gay e não um gay governador promove uma “higienização” da homossexualidade. Para Puhl, quando nos posicionamos pela profissão e negamos a orientação, tentamos “higenizar” isso. É como se a posição social em que ocupamos fosse infinitamente superior à orientação sexual, explica o jornalista e ativista LGTBQI A+.
O psiquiatra Rogério Riffel explica que o preconceito sempre permeou a conduta humana e junto com a negligência matou muitas pessoas na história. Há três ou quatro décadas atrás pessoas com orientação sexual diferente do aquilo que a sociedade impunha, viviam em condições marginais, não eram aceitas em muitas situações dentro da sociedade, embora tivessem uma capacidade muito grande.
Para maioria dos ouvintes, a decisão do governador em tornar pública deve ser respeitada. Os ouvintes opinaram que essa escolha em tornar pública a decisão passa pela escolha pessoal do governador.