Para jornalista que viveu durante Regime Militar, não vale a pena modificar Lei da Anistia
Nessa segunda-feira foram lembrados os 50 anos do início do governo militar. Em todo o Brasil, depois de 1964, houve restrição da liberdade, especialmente na imprensa. O jornalista passo-fundense Ivaldino Tasca viveu essa época e lembra que há 50 anos era quase impossível fazer críticas ao governo.
Tudo o que se escrevia ficava nas entrelinhas e se falava “por meias palavras”, pois as pessoas tinham medo de serem presas. Segundo Tasca, fazer jornalismo como nos dias de hoje era impossível. O jornalista lembra que na época não se obtinham informações sobre o governo e por isso não se sabia se havia corrupção. Apesar disso, os políticos da época, da Arena e do MDB, eram todos decentes.
Por exemplo, o ex-prefeito Edu Villa de Azambuja, que era coronel, foi quem melhor se relacionou com a imprensa passo-fundense. Para Tasca, a corrupção atual é terrível, mas não adianta querer trazer a ditadura militar de volta, pois isso não mudaria os padrões éticos da sociedade.
Ele lamenta que a esquerda no poder tenha criado um clima tão complicado devido à corrupção em relação à coisa pública. Sobre a pesquisa do Datafolha, que aponta que 46% das pessoas querem anular a lei da Anistia, Ivaldino Tasca frisa que na época do regime, a anistia era necessária. Em sua opinião, não seria bom modificar a lei.
Criada em 1979, a Lei 6.683 anistiou todos os que haviam cometido “crimes políticos” entre 1961 e 1979. Opositores foram perdoados e exilados puderam voltar. Agentes do Estado também passaram a recorrer à Lei da Anistia para evitar punições. Eles alegam que se tratou de uma espécie de pacto nacional pelo esquecimento recíproco das violências.