Papa Francisco declara que grande maioria dos casamentos católicos são inválidos
Na quinta-feira (16), durante uma sessão de perguntas e respostas com padres, freiras e paroquianos, na Basílica de Roma, o Papa Francisco declarou que a “grande maioria” dos casamentos católicos celebrados atualmente são inválidos, porque os casais não entendem que se trata de um compromisso para a vida toda.
A afirmação gerou polêmica, e o Papa foi criticado pela ala conservadora da Igreja, que entendeu o discurso como uma afirmação de que a maioria dos fiéis não levam os votos a sério.
Francisco declarou: “Estamos vivendo em uma cultura provisória. Por causa disso, a grande maioria de nossos casamentos são nulos, porque os casais dizem ‘sim, para o resto da minha vida’, mas eles não sabem o que estão dizendo, porque têm uma cultura diferente”.
Em uma transcrição feita pelo Vaticano e emitida nesta sexta-feira, as palavras do pontífice foram alteradas. Onde se dizia “a grande maioria” dos casamentos foi escrito “alguns”. Um porta-voz do Vaticano afirmou que algumas declarações do Papa são editadas após consulta com ele e seus assessores.
O religioso disse também que a Igreja precisa fazer programas melhores de preparação para o casamento e que padres não devem pressionar casais que vivem juntos a se casarem se eles não estão prontos para o matrimônio. Ele disse que os padres devem “deixar a fidelidade amadurecer”.
“A crise do casamento é relacionada ao fato das pessoas não saberem o que é o sacramento, a beleza do sacramento, eles não sabem que isso é indissolúvel, que é para toda a vida. Há rapazes e moças que têm pureza e um grande amor, mas são poucos”, argumentou o Papa, acrescentando ainda que muitos jovens têm uma visão materialista e superficial do casamento, com uma obsessão com a escolha da roupa, da igreja e do restaurante.
Essa não é a primeira vez que o religioso gera polêmica com suas afirmações. No ano passado, ele teve que esclarecer falas nas quais afirmou que os católicos não têm que sentir que devem se reproduzir “como coelhos” porque a Igreja proíbe o controle de natalidade.
*O Globo