Skip to content

Saúde

Pandemia afastou obesos de buscarem um tratamento mais eficaz contra a doença, declara médico

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

O ano de 2030 parece estar longe, mas uma projeção com dados alarmantes mostram como poderão estar os brasileiros daqui a oito anos. Conforme o estudo, a prevalência de excesso de peso poderá chegar a 68% da população do Brasil, ou seja, sete em cada 10 pessoas terão sobrepeso. Além disso, a obesidade poderá atingir 26% dos brasileiros, ou seja, uma a cada quatro pessoas. Junto a estes números alarmantes, a pandemia também traz maiores preocupações para pessoas que estão acima do peso, devido a maiores complicações que são causadas nelas pela covid-19.

Falando sobre o assunto na Uirapuru, o médico cirurgião digestivo e bariátrico, Dr. Lucas Duda Schmitz, declarou que a obesidade é uma doença que cada vez mais avança em números e ninguém está conseguindo barrar. Conforme Schmitz, existem dados até mais alarmantes, como um estudo americano de 2009 que mostrou que até 2090 praticamente todos os americanos serão obesos.

De acordo com o médico, a obesidade é uma doença crônica, que precisa de tratamento contínuo e, o mais preocupante, é que ela ainda traz outras questões graves. Por exemplo: um obeso tem maior incidência de doenças cardiovasculares, com percentual grande de mortes na população, também tem maior incidência de câncer e na pandemia foi ainda mais agravado, porque percebeu-se que essa população é a mais suscetível a complicações, internações e óbitos. Juntando tudo isso, Schmitz conta que a pessoa pode ter, em média, 10 anos de vida a menos, além de perder sua qualidade de vida, não conseguindo por muitas vezes fazer coisas banais.

De acordo com o cirurgião, é difícil estabelecer apenas uma causa para a obesidade, porque esta é uma doença multifatorial, que pode surgir de um comportamento mais sedentário, sem atividades físicas ou através de alimentação sem qualidade. No entanto, o médico também esclarece que a obesidade pode ser causada por uma questão genética.

Conforme o Dr. Lucas Schmitz, nos últimos dois anos foi notável nos hospitais e alas de covid a perigosa relação do coronavírus com a obesidade. Segundo ele, a população já entendeu esta questão, que trouxe um medo cada vez maior para quem está acima do peso.

Porém, o médico também destaca que a própria pandemia, além de trazer maior preocupação quanto ao assunto, afastou os obesos de buscarem um tratamento mais eficaz para o seu problema, porque muitas pessoas evitaram ir em médicos e hospitais, agravando a doença. O médico também afirma que, infelizmente, os tratamentos para obesidade não são simples e é muito difícil depender apenas de um tratamento clínico para resultados a longo prazo. Por isso, muitos acabam recorrendo a tratamentos mais invasivos, como colocação de balão gástrico e, principalmente, cirurgia bariátrica.

De acordo com o Dr. Lucas Schmitz, a cirurgia não deve ser o primeiro passo contra a obesidade, mas é o método que tem melhores resultados a longo prazo. Ele também lembra que este não é um tratamento definitivo e que o paciente, mesmo com a cirurgia, terá que ter uma parcela do resultado, mudando de comportamento, ajustando a dieta e, com força de vontade, mudar de vida.