Palocci: depoimento mais temido pelo PT faz revelações bombásticas
O ex-ministro Antonio Palocci disse, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que o ex-presidente Lula sabia que diretores nomeados para a Petrobras estavam envolvidos em esquemas de corrupção com a participação de partidos políticos.
Ele afirmou ter conversado com Lula em 2007 sobre o assunto. O ex-presidente teria demonstrado preocupação, mas depois estimulou o esquema, segundo o ex-ministro. “Lula senta comigo e fala que tinha ouvido falar que a diretoria de Serviços, a diretoria de Abastecimento, a diretoria de Internacional está tendo muita corrupção. É verdade? Eu falei pra ele: é verdade”, disse.
Lula, segundo Palocci, pensou em “tomar providências” porque “a coisa estava repercutindo de forma muito negativa”. Palocci diz que explicou ao ex-presidente que as diretorias estavam loteadas por partidos da base. “Eu falei: é aquilo que foi destinado para esses diretores, operar para o PT em um caso e para o PP no outro. E ele falou: você acha que isso está adequado? Eu falei: não, acho que isso está muito exagerado”, afirmou Palocci.
O ex-ministro disse que na estatal se estabeleceu um intenso financiamento partidário. “Essas diretorias foram nomeadas e ao longo do tempo se desenvolveu [repasses] através delas. Na de Serviços o PT, na Internacional o PMDB, na de Abastecimento o PP. Uma relação de intenso financiamento partidário, de políticos, pessoas, empresas.”
Janot quer bloqueio de R$ 6,5 bilhões de Lula, Dilma e outros petistas
O procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu o bloqueio de R$ 6,5 bilhões dos ex-presidentes Lula e Dilma, dos ex-ministros Antônio Palocci (Fazenda e Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento), Edinho Silva (Secretaria da Comunicação) e Gleisi Hoffman (Casa Civil) e, ainda, do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Janot também requereu a condenação de todos os acusados à reparação de danos materiais e morais “causados por suas condutas”, fixando-se um valor mínimo global de R$ 300 milhões. Os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos (lesões à ordem econômica, à administração da justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira), sendo dificilmente quantificados.
“Os pedidos foram apresentados no corpo da denúncia que Janot levou ao Supremo Tribunal Federal contra o chamado “quadrilhão” do PT. O procurador atribui a Lula, Dilma e aos ex-ministros e ao ex-tesoureiro formação de organização criminosa para crimes contra a administração pública. Janot aponta para a “existência de elementos suficientes de materialidade e autoria delitivas”.
“Lula foi o grande idealizador da constituição da organização criminosa, na medida em que negociou diretamente com empresas privadas o recebimento de valores para viabilizar sua campanha eleitoral à presidência da República em 2002 mediante o compromisso de usar a máquina pública, caso eleito (como o foi), em favor dos interesses privados deste grupo de empresários”, sustenta o procurador.
Na acusação formal levada ao Supremo, Janot enfatiza. “Durante sua gestão, (Lula) não apenas cumpriu com os compromissos assumidos junto a estes (empresários), como atuou diretamente e por intermédio de Palocci, para que novas negociações ilícitas fossem entabuladas como forma de gerar maior arrecadação de propina.” Ainda sobre Lula. “Foi o grande responsável pela coesão do núcleo político da organização criminosa e pela indicação de Dilma como candidata do PT à presidência da República em 2010.
Essa condição permitiu-lhe continuar a influenciar o governo da sua sucessora e a fazer disso mais um balcão de negócios para recebimento de vantagens ilícitas.
Defesas
“A denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República parece uma tentativa do atual procurador-geral de desviar o foco de outras investigações, que também envolvem um membro do Ministério Público Federal, no momento em que ele se prepara para deixar o cargo”. “Não há fundamento algum nas acusações contra o Partido dos Trabalhadores.
Desde o início das investigações da Lava Jato, o PT vem denunciando a perseguição e a seletividade de agentes públicos que tentam incriminar a legenda para enfraquecê-la politicamente”.