Ouvintes reclamam do preço de tele-entulho e da prefeitura que não atende quem não pode pagar
Durante a programação da Uirapuru, ontem (7), muitos ouvintes se manifestaram reclamando sobre os altos preços cobrados pelas empresas de tele-entulho da cidade para disponibilizar um contêiner e fazer a coleta nas residências. Com o risco da dengue, a população questionou também se quem não pode pagar por até R$190 pelo serviço, deve deixar os entulhos ou restos de obras na rua ou em terrenos abandonados.
O serviço de recolhimento, deste material, é oferecido pela Prefeitura para famílias carentes, mas conforme os ouvintes, existe muita burocracia e demora em sua execução.
Recolhimento gratuito é destinado apenas para quem se encontra em vulnerabilidade social
Respondendo aos questionamentos de dezenas de ouvintes, na Uirapuru, o secretário adjunto de Transportes e Serviços Gerais, Nharam Carvalho, explicou que a Prefeitura oferece o serviço de recolhimento de entulhos apenas para famílias carentes ou para limpeza coletiva de bairros. Para isso, é preciso que as famílias estejam cadastradas no CADÙNICO, o que pode ser feito junto à SEMCAS.
Ele admitiu que o serviço demora, pois a demanda é grande e os contêineres não podem ficar disponíveis somente para a população, durante toda a semana, já que são usados também para limpeza de espaços públicos. Ele ressaltou que a administração municipal tem custos para o correto descarte deste material e não pode garantir um tele-entulho gratuito.
Frisando que esta seria uma prática desleal com as empresas do setor que pagam impostos e geram emprego. Informando que para a população existem apenas dois caminhos: se enquadrar nos critérios para receber o contêiner gratuitamente ou pagar uma empresa particular.
Descarte correto do material encarece os custos para empresários
O preço médio do serviço de tele-entulho, em Passo Fundo, está em R$190 reais por carga, valor que nem sempre pode ser pago pela população. Em 2002, o Conselho Nacional do Meio Ambiente editou a resolução 307 que dispõe sobre a gestão dos resíduos da construção civil e demolição, visando evitar o descarte inadequado.
Em 2013 foi aprovado o Projeto de Lei municipal, de autoria do vereador Padre Vilson Lill, consolidando o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Passo Fundo. Em dezembro de 2014 essa lei foi sancionada pelo prefeito Luciano Azevedo. Ela estabelece diretrizes para a instalação de usina, de áreas para o recebimento e a forma de gerenciamento dos resíduos na própria obra.
Mas foi no início de 2015, que a cidade contou com sua primeira usina, a Rizotto Eco Smart. A empresa funciona em uma área de 90 mil metros quadrados e empregando 14 funcionários. Procurado pela reportagem da Uirapuru, Fernando Rizotto, diretor da empresa, explicou os motivos do preço.
Conforme aponta, os custos para a destinação correta do material são altos, pois as leis ambientais devem ser seguidas. Ele disse que podem ser descartados restos de obras, como papel, plástico PVC, tijolos, isopor, gesso, vidro, cimento e metais. No entanto, algumas pessoas colocam materiais como grama, terra, peças de carros, entre outros.
Esses resíduos precisam ser descartados de forma especial. Muitos tendo que ser é enviados para outras cidades, o que justificaria o valor. Rizotto lembrou que antes de Passo Fundo contar com uma usina de descarte, o preço médio do trabalho era de R$140 Reais e muitas denuncias de descarte incorreto ocorriam. Hoje, com uma diferença pequena, existe a certeza do descarte correto e seguro.
O empresário pediu que a população exija que os prestadores de serviço entreguem a guia de comprovação, atestando que o material foi para a usina local, sendo assim descartado corretamente.