Ouvintes divididos: para uns a legalização da maconha irá acabar com o tráfico e para outros aumentará o consumo da droga
Neste final de semana o tema do “Sem Segredo”, da Rádio Uirapuru, tratou da polêmica em torno da legalização da maconha. Tramita no Congresso Nacional uma proposta, de iniciativa popular, que prevê a legalização da planta para uso medicinal e recreativo no Brasil.
O projeto autoriza o cultivo caseiro da erva, determina o registro de “clubes de autocultivadores” e o licenciamento de estabelecimentos de cultivo e de venda de maconha no atacado e no varejo. Quem defende a legalização justifica que o tráfico de drogas está dizimando a juventude.
Outro aspecto reside no fracasso da atual política de combate às drogas. Na discussão pende a favor da legalização os avanços que poderiam ocorrer na área da saúde, devido à riqueza de propriedades analgésicas da planta. Por outro lado, quem é contra teme que acabe havendo a elevação do consumo de uma droga que é considerada a porta de entrada para as demais, como cocaína e crack. No estúdio participaram o coronel da Brigada Militar, Antônio Carlos Cruz e o professor Guido Lucero.
Para o coronel, acostumado a atuar no combate ao tráfico e ao uso de drogas, a liberação só geraria mais violência, transferindo para o estado uma responsabilidade que faltamente não seria bem cumprida. Além do que levaria mais jovens ao uso da substância ilícita.
Já o professor Guido Lucero, ressaltou que na verdade a livre utilização da maconha hoje já existe e que por isso, para ele, o necessário seria se criar regras para organizar esse consumo. Além disso, lembra que a atual política de combate às drogas não funciona e com a legalização seria possível se terminar com o tráfico.
Participando também do programa, a farmacêutica Carla Gonçalves, explicou que existem diversos estudos no intuito de identificar as propriedades analgésicas da planta.
Os ouvintes se mostraram divididos, enquanto uns acham que o Brasil não está pronto para legalização e que o governo acabaria por não conseguir fiscalizar a distribuição e venda, outros acham que ela deveria ser liberada. Estes afirmam que o uso já existe e que seria hipocrisia não admitir este fato.
Os contrários temem que com a liberação o uso de drogas se alastre e acabe levando mais jovens ainda ao consumo não só de maconha, mas também de outras substâncias proibidas.