Operação Consortium: bens podem ser leiloados em breve para evitar desvalorização
Uma das maiores investigações já realizadas em Passo Fundo contra crimes de estelionato segue avançando e revela números impressionantes. A chamada operação Consortium, que desmantelou um esquema fraudulento envolvendo consórcios já identificou milhares de vítimas em diversos estados do país e um prejuízo estimado em cerca de R$ 300 milhões.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Marcelo Batista, as investigações comprovaram que o grupo criminoso atuava há mais de 10 anos aplicando golpes por meio da venda de cartas de consórcio. As vítimas eram atraídas com a promessa de contemplação rápida — em prazos de 15 a 60 dias — mediante o pagamento antecipado de valores elevados.
Na prática, os clientes depositavam quantias nas contas de administradoras de consórcio, sob a justificativa de adiantamento da taxa de administração. No entanto, poucos dias depois, esses valores eram repassados quase integralmente aos estelionatários, como forma de comissão. “Os consórcios eram verdadeiros, mas a promessa de contemplação rápida era enganosa. Era assim que eles ludibriavam as vítimas”, explicou o delegado.
A investigação contou com análise detalhada de movimentações bancárias, que ajudaram a comprovar o esquema criminoso. Durante a operação, foram bloqueados cerca de R$ 17 milhões em contas, além da apreensão de 42 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 15 milhões.
Todos os principais envolvidos seguem presos preventivamente, aguardando julgamento. Ainda há dois suspeitos foragidos. Recentemente, a polícia também localizou um veículo de alto valor que estava escondido com terceiros, o que gerou a abertura de um novo procedimento investigativo.
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa tinha atuação nacional, com vítimas identificadas em estados como Amazonas, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e outros. “Era um esquema extremamente estruturado, com alcance em praticamente todo o país”, destacou o delegado.
As administradoras de consórcio, conforme apurado até o momento, são tratadas inicialmente como vítimas, já que os valores eram formalmente registrados como taxa de administração, prevista em contrato — embora não obrigatória.
Outro ponto que chama a atenção é que, mesmo após a operação, alguns escritórios ligados ao grupo seguem em funcionamento. A polícia optou, inicialmente, por não solicitar a suspensão das atividades, acreditando que a prisão dos responsáveis seria suficiente para encerrar o esquema.
A Justiça ainda poderá autorizar o leilão dos bens apreendidos, especialmente os veículos, para evitar a desvalorização. Os valores arrecadados ficariam depositados judicialmente para futura indenização das vítimas.
A Polícia Civil orienta que pessoas que se considerem vítimas do golpe procurem uma delegacia para registrar ocorrência. Apenas aqueles já identificados na investigação inicial terão acesso direto aos valores bloqueados; os demais casos precisam ser formalmente apurados.
As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas. “Nosso objetivo agora é consolidar todas as provas e garantir que os responsáveis sejam julgados com base em um processo robusto”, concluiu o delegado.
A operação já é considerada uma das maiores do Brasil no combate a fraudes envolvendo consórcios e representa uma resposta às milhares de vítimas que, ao longo de anos, foram enganadas pelo esquema.