Obrigatoriedade de exame toxicológico está afastando os caminhoneiros da profissão
De acordo com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC) atualmente no Brasil sobram cargas e faltam condutores para levar 65% de tudo o que país produz,
Tendo custos crescentes acima da média, como o diesel encarecendo 65% em 2021, bem como o frete defasado em 25%, segundo a NTC, boa parte dos caminhoneiros abandonaram a boleia. No levantamento da entidade, só a obrigatoriedade do exame toxicológico a cada dois anos e meio, fez com que 3,5 milhões de condutores saíssem do mercado, indicando que essa população inteira usa algum tipo de produto químico.
Conforme um dos líderes dos caminhoneiros de Passo Fundo, Ângelo Alérico, o cenário é exatamente esse apontado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística. Um dos principais motivos, de acordo com Alérico, é a falta de incentivo para a categoria. Quem trabalha de funcionário está passando por bastante dificuldade e está deixando o mercado, com isso diversas empresas estão com caminhões parados por falta de motoristas. Alérico afirma que os mais jovens não se interessam pela profissão. Ninguém mais quer ficar fora de casa, dormindo mal e ganhando pouco.
Sobre a informação apontada pela NTC sobre o exame toxicológico, Ângelo Alérico acredita que a obrigatoriedade do exame está afastando os motoristas da função também. O exame aponta se o motorista consumiu drogas até 180 dias antes da coleta do material para o exame. Desse modo, aqueles que fizeram o uso de alguma substância não conseguem a permissão para dirigir e acabam saindo do mercado. Outro fator que está afastando os caminhoneiros de suas funções são diversas exigências que algumas empresas estão fazendo. Em alguns casos o motorista precisa passar por cursos, exames, entre outros que acaba dificultando a profissão.