O município que começou com Cabo Neves e Joaquim Fagundes dos Reis
Foi lá pelo ano de 1828 que um paulista, Manoel José das Neves, nascido em São José dos Pinhais, hoje território do Paraná, por aqui chegou com sua esposa Reginalda Neves e seus pertences. Trazia também, alguns escravos. Conta-se que Manoel José das Neves, mais conhecido como “Cabo Neves”, tendo sido ferido, gravemente, numa batalha das Guerras Cisplatinas, se retirou da luta e pediu um pedaço de terra para viver com sua família. O pedido foi endereçado ao Imperador D. Pedro II, por intermédio do Comando Militar de São Borja a quem o povoado de Passo Fundo estava sujeito, atendendo as divisas territoriais da época.
O Imperador atendeu o pedido do Cabo Neves. Ele solicitou esse pedaço de terra localizado no norte da província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Esse pedaço de terra se transformou na bela cidade de Passo Fundo. Sua primeira morada foi nas imediações de um arroio, onde hoje está situado o magnífico hospital denominado Instituto de Ortopedia e Traumatologia – IOT.
Esse arroio, mais tarde foi denominado de Lava Pés, nome dados pelos tropeiros que por aqui passavam em direção à província de São Paulo. O lugar, porém, era muito úmido. Cabo Neves procurou subir e se localizou numa coxilha, lugar mais seco. Seria, mais tarde a Praça Almirante Tamandaré. Não demorou muito, aqui chegou outro homem. Se chamava Joaquim Fagundes dos Reis. Vinha acompanhado de mais nove homens. Fagundes dos Reis, ao contrário de Cabo Neves, era um homem letrado. Por isso foi nomeado Juiz de Paz.
Ele procurava resolver as desavenças jurídicas, no imenso território passo-fundense. Os dois ilustres desbravadores faleceram por aqui, na então Vila do Passo Fundo. Fagundes dos Reis faleceu em 22 de junho de 1863, com 78 anos de idade. Sua biografia é bem conhecida no sul do Brasil. Seu túmulo está localizado à beira da estrada BR 285, próximo à nossa cidade. Manoel José das Neves, não sabemos quando faleceu e nem onde está sepultado. Para Fagundes dos Reis foram dadas muitas homenagens: Ruas, avenidas, bustos, nome de escolas… e para o Cabo Neves, nada.
É uma lacuna, ainda, da nossa história.