O Gaúcho é resultado da mistura de povos que habitam o território e o ser gaúcho é um sentimento que bate forte no peito
O churrasco, chimarrão, pilcha, dança e a música foram algumas das respostas dos ouvintes do programa Sem Segredo de sábado, que perguntou o que você mais gosta da tradição gaúcha?
O programa também proporcionou informações históricas para compreender a formação do povo gaúcho, que não começou com a Revolução Farroupilha, como muitos pensam, mas que foi e continua sendo uma construção permanente e coletiva.
O povo gaúcho é resultado da miscigenação e de suas. Começa com os indígenas que habitaram estas terras nos primórdios, passa pelas colonizações portuguesa, espanhola, alemã e italiana e por muitas batalhas internas e com outros povos pela definição das fronteiras e pelo poder. A principal delas, a Revolução Farroupilha, que durou dez anos, de 20 de setembro de 1835 até primeiro de março de 1945, enfrentou o Governo Imperial pela redução de impostos, mais autonomia para a província e chegou a se transformar em movimento separatista.
Mas o entendimento do que seria o gaúcho começa a ser construído em 1935 nas comemorações do centenário da Revolução Farroupilha. Em 1947, o chamado Grupo dos 8, dentre os quais Paixão Cortes, iniciam estudos e passam a colocar no papel o que pesquisas sobre as tradições, recuperando e adaptando passos de danças, músicas e costumes. E foi só em 1964, que a data de 20 de setembro foi instituída como feriado, em uma alusão a Revolução Farroupilha. Mas, o ser gaúcho é muito mais do que isso: é um sentimento, como explica o presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo, Djiovan Carvalho:
O presidente da Sétima Região Tradicionalista, Alessandro Gradaschi recorda que a organização do Movimento Tradicionalista e a criação dos CTGs, veio com o grupo dos 8, a partir de 1947, sendo que em 1948 foi fundado o primeiro CTG no Estado, o 35 CTG. Em Passo Fundo, o primeiro CTG, o Lalau Miranda, foi criado em 1952. O MTG foi constituido em 1966, entidade que organiza os CTGs. Só que a tradição como nós conhecemos hoje não é original. Foi uma adaptação, como na dança, na música e nos próprios costumes. As danças, por exemplo, a única que podemos considerar como original é o Bugio. A Valsa, o chamamé e outras vieram de outras culturas e foram adaptadas por nós. O vestido das prendas como se conhece hoje, por exemplo, não condiz com a realidade do que as mulheres vestiam no passado. Foi uma criação que remete a vestimenta europeia.
Para Alessandro, que vai assumir a presidência do MTG no final do ano, muitas das regras criadas pelo Movimento já foram modernizadas, para se adaptar a evolução da sociedade. Hoje, por exemplo, Os CTGs funcionam como um espaço de eventos para a comunidade. Ele conta um pouco sobre o jeito do gaúcho em relação a danças de ritmos que foram importados: