“O Brasil ainda não está pronto”, diz presidente do Sincogêneros de Passo Fundo sobre a escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa substituir a atual escala de seis dias de trabalho por um de descanso atingiu o número necessário de assinaturas para ser protocolada na Câmara dos Deputados, o que deve ocorrer apenas no início do próximo ano. Conhecida como “PEC 6×1”, a proposta, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), já provoca intenso debate em todo o país. A iniciativa busca instituir uma escala de trabalho 4×3 (quatro dias trabalhados por três de folga), garantindo a manutenção dos salários nos níveis atuais.
Nas últimas semanas, a Rádio Uirapuru ouviu diversas entidades sobre o assunto, e as opiniões estão divididas entre favoráveis e contrárias ao projeto. O tema foi debatido, inclusive, no programa Sem Segredo do último sábado (23).
Outra entidade de Passo Fundo que se manifestou foi o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Passo Fundo (Sincogêneros), por meio de seu presidente, Celso Marcolan. Segundo ele, os representantes do sindicato ainda não se reuniram para definir um posicionamento conjunto sobre o tema. No entanto, Marcolan expressa, em caráter pessoal, que o Brasil ainda não está preparado para implementar um projeto dessa magnitude, sendo necessário analisar profundamente todas as implicações antes de aprová-lo.
Marcolan destaca que um dos principais desafios seria a questão salarial, já que a redução da carga horária forçaria as empresas a contratar mais funcionários para cobrir os dias de folga. Além disso, ele observa que algumas pessoas poderiam trabalhar informalmente nos dias de descanso, contrariando o objetivo original da proposta, que é garantir o repouso do trabalhador.
O presidente sugere que, caso o projeto avance, o governo considere reduzir a carga tributária para os empresários, já que, em sua visão, muitas empresas poderiam enfrentar crises econômicas diante do novo modelo.
Já o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Longo, também expressou sua opinião em entrevista à nossa reportagem, afirmando que o momento atual é inadequado para uma discussão desse tipo. Ele ressalta que, em um país onde o número de beneficiários do Bolsa Família e usuários do seguro-desemprego supera a quantidade de trabalhadores empregados, não há espaço para propor mudanças dessa natureza.
Longo defende que o foco inicial deveria ser o aumento da renda dos trabalhadores, pois todos os setores enfrentam desafios relacionados à falta de mão de obra, especialmente no Rio Grande do Sul.