Nova presidência marca retomada da APAC Passo Fundo e projeta ampliação da ressocialização
A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Passo Fundo vive um novo momento. Fernando Carlos Bicca assumiu oficialmente a presidência da entidade e destacou, em entrevista à Rádio Uirapuru, os avanços e os próximos passos da instituição, que atua na ressocialização de apenados por meio do método APAC. Segundo Bicca, ele está à frente da direção da APAC há cerca de um ano e meio, após o afastamento do ex-presidente. Desde então, o trabalho tem sido focado em retomar os objetivos centrais da entidade: oferecer um ambiente humanizado e garantir condições reais de ressocialização para que os apenados possam retornar à sociedade de forma digna.
O novo presidente explicou que a APAC passou por um período de instabilidade, o que resultou em um número reduzido de recuperandos. No entanto, esse cenário começa a mudar. Após uma investigação realizada pelo Ministério Público, a entidade se prepara para uma audiência, na próxima semana, na Vara de Execuções Criminais, onde oito candidatos serão entrevistados para possível ingresso na APAC. A expectativa é aumentar gradualmente o número de internos e dar novo fôlego à instituição.
Fernando Bicca também fez questão de esclarecer um ponto importante sobre o funcionamento da APAC. Diferente do que muitas pessoas acreditam, a entidade não é uma “prisão sem grades”. Trata-se de uma prisão com grades e com um sistema de segurança rigoroso. A principal diferença é que não há presença de policiais armados no local. A segurança é garantida pelos próprios recuperandos, dentro de um método que cria um ambiente de responsabilidade, disciplina e ausência do desejo de fuga.
Para ingressar na APAC, o apenado precisa atender a critérios específicos. Apenas presos com condenação definitiva e que já tenham cumprido parte da pena em um presídio tradicional podem se candidatar à transferência. Nem todos têm perfil para o método, mas a meta, segundo Bicca, é que no futuro a APAC tenha condições de receber diferentes perfis de apenados.
Entre as principais diferenças em relação ao sistema prisional tradicional, está o cumprimento efetivo da Lei de Execuções Penais. Na APAC, trabalho, estudo e espiritualidade são obrigatórios e caminham juntos. De acordo com o presidente, embora seja mais fácil cumprir pena em um presídio comum, o retorno à sociedade é muito mais difícil, já que o sistema tradicional não oferece condições adequadas de ressocialização. Na APAC, o foco é justamente preparar o indivíduo para deixar o crime, com apoio constante de voluntários e valorização humana.
Para 2026, o principal projeto da gestão é consolidar de forma completa o método APAC em Passo Fundo. A expectativa é encerrar o ano com pelo menos 15 recuperandos, número considerado suficiente para aplicar integralmente o método e garantir resultados mais efetivos na ressocialização.
Outro destaque anunciado por Fernando Bicca é a realização de um curso para voluntários, que será divulgado em breve. Toda a comunidade poderá participar, mas o curso é obrigatório para quem deseja atuar na APAC, preparando os voluntários para lidar com as situações vivenciadas no dia a dia da entidade.