Nova perícia pode mudar rumo do caso do bolão milionário de Fontoura Xavier
Um dos casos mais polêmicos envolvendo um prêmio milionário da Mega-Sena no Rio Grande do Sul voltou a ganhar novos desdobramentos na Justiça. A disputa pelo valor de mais de R$ 119 milhões, relacionada a um suposto bolão entre servidores da prefeitura de Fontoura Xavier, segue cercada de controvérsias e questionamentos que se arrastam desde 2010.
Na época, os participantes alegaram que o bilhete premiado fazia parte de uma aposta coletiva. No entanto, o prêmio acabou sendo sacado de forma individual por um empresário de São José do Herval. Com o avanço das investigações, o caso passou a envolver suspeitas de fraude, falsos testemunhos e até tentativa de golpe, gerando uma longa disputa judicial.
Em entrevista concedida à Rádio Uirapuru nesta sexta-feira (10), o advogado Jean Severo, que representa as supostas vítimas, afirmou que uma nova perícia autorizada pela Justiça pode ser decisiva para o andamento do processo.
Segundo ele, uma perícia particular já teria apontado indícios de fraude, e agora a expectativa é de que o material seja analisado pelo Instituto-Geral de Perícias, considerado um órgão oficial e imparcial. O advogado acredita que o resultado deve confirmar as irregularidades apontadas.
Jean Severo também destacou problemas ocorridos anteriormente no andamento do processo. De acordo com ele, em 2015 houve falhas no envio de materiais para perícia, incluindo o encaminhamento de cópias em vez de documentos originais, o que teria comprometido a análise técnica na época.
Ainda conforme o advogado, a expectativa é de que a nova perícia seja concluída em até 30 dias. Caso as suspeitas sejam confirmadas, o resultado pode trazer novos desdobramentos e responsabilizações no caso, inclusive com possíveis reflexos envolvendo outras instituições.
O caso também motivou a realização de um protesto nesta semana em Soledade. A manifestação tem como objetivo cobrar celeridade no envio do material pericial ao órgão responsável, antes da audiência marcada para o dia 29 de abril.
De acordo com a defesa, cerca de 10 a 11 pessoas fariam parte do suposto bolão. O advogado afirma que os participantes confiaram a guarda do bilhete a uma única pessoa, o que teria possibilitado a suposta fraude.
A audiência prevista para o fim do mês deve marcar mais um capítulo deste caso, que há mais de uma década mobiliza envolvidos e segue em busca de esclarecimentos na Justiça.
Reportagem: Bruno Reinehr / Uirapuru