Nova gestão do Sindicato da Polícia Penal do Estado toma posse e faz alerta sobre momento do sistema prisional do RS
A nova gestão do Sindicato da Polícia Penal do Estado assumiu o cargo na última semana, em meio a uma série de desafios que afligem o sistema prisional, inclusive na região de Passo Fundo.
Em entrevista na Uirapuru, o presidente do Sindicato da Polícia Penal do Estado (SINDPPEN), Cláudio Dessbesell, falou sobre os principais problemas enfrentados pelos profissionais da área, incluindo a falta de efetivo, defasagem salarial, privatizações em curso, e o crescente enfrentamento de questões relacionadas à saúde mental dos policiais penais.
Além disso, ele destacou o atraso na regulamentação da Polícia Penal no Rio Grande do Sul, o que tem impactos diretos sobre o exercício das funções e a segurança dos profissionais. O presidente do sindicato ressaltou o compromisso da nova gestão em defender os direitos da categoria, que desempenha um papel crucial na custódia de mais de 40 mil pessoas presas, garantindo a segurança da sociedade em tempo integral.
No entanto, alertou que o atual quadro de recursos humanos e as condições das instalações prisionais são inadequados para enfrentar essa responsabilidade de forma eficaz. Uma das preocupações destacadas por Dessbesell é a situação do presídio de Passo Fundo. Originalmente projetada para acomodar 300 apenados, a prisão já chegou a abrigar 800 indivíduos.
Além disso, ele afirma que a estrutura antiquada do presídio, inicialmente construída em área rural e agora cercada por bairros urbanos, não acompanhou o crescimento da cidade, resultando em condições precárias para os detentos e, principalmente, os servidores.
O presidente do SINDPPEN também ressaltou a questão salarial como um ponto crítico. Com os servidores enfrentando uma década sem recomposição salarial, muitos estão lutando para sustentar suas famílias, especialmente considerando a necessidade de residir em áreas mais seguras devido à sua exposição como funcionários do sistema penal.
Essa situação tem levado a um aumento significativo de casos de depressão entre os profissionais, impactando não apenas seu desempenho no trabalho, mas também suas vidas pessoais. Diante dessas dificuldades, Dessbesell faz um apelo à sociedade para que reconheça os desafios enfrentados pelos profissionais da segurança pública.
Ele enfatiza a necessidade de investimentos em novas infraestruturas prisionais, mas adverte contra a transição para modelos de privatização que possam comprometer a presença do Estado no sistema penal. Além disso, pede uma revisão urgente da política salarial, garantindo que os servidores públicos sejam devidamente valorizados pelo importante trabalho que realizam.