Foto: Rodrigo Nunes/MS
O Ministério da Saúde anunciou a ampliação da oferta da vacina contra hepatite A no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de agora, a imunização também será indicada para usuários da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), estratégia medicamentosa utilizada na prevenção do HIV. A decisão ocorre diante da mudança no perfil epidemiológico da doença, que passou a registrar surtos entre adultos, especialmente homens que fazem sexo com homens.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a ampliação da vacinação tem como objetivo reduzir os riscos de casos graves e óbitos pela doença. Ele destacou que a inclusão da vacina para o público infantil, em 2014, levou a uma queda expressiva nos registros da doença entre crianças, concentrando os casos mais recentes na população adulta. A meta é vacinar 80% dos mais de 120 mil usuários da PrEP cadastrados no SUS, com duas doses aplicadas em um intervalo de seis meses.
A imunização será realizada nos serviços de referência que acompanham os usuários da PrEP, mediante apresentação da receita médica. A hepatite A é uma infecção viral que afeta o fígado e tende a apresentar maior gravidade em adultos. A transmissão ocorre principalmente por via fecal-oral, mas também pode estar associada a práticas sexuais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vacinação como medida preventiva.
No Brasil, surtos associados à transmissão sexual começaram a ser identificados em 2017, com 786 casos e dois óbitos registrados em São Paulo. Desde então, novas ocorrências foram controladas com ações específicas de vacinação. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2013 e 2021, os casos de hepatite A no país caíram 93%, passando de 6.261 para 437. Entre crianças menores de cinco anos, a redução foi de 97,3%. Em 2023, no entanto, os casos voltaram a subir, com 2.080 notificações – 90% delas entre adultos, principalmente homens.