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Nas Entrelinhas: Tarifas impostas ao Brasil têm origem em disputa comercial e tecnológica

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

No quadro Entrelinhas da Rádio Uirapuru, desta quinta-feira (10), o comentarista Mauro Vinícius de Moraes analisou os impactos da decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas sobre produtos brasileiros. Ele apontou que o Brasil foi o país mais afetado entre os 14 notificados, e que o episódio foi utilizado politicamente dentro do Brasil. De acordo com Mauro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, licenciado e atualmente nos Estados Unidos, usou as redes sociais para responsabilizar o ministro Alexandre de Moraes e o atual governo brasileiro pelas sanções.

Segundo Mauro, a imposição das tarifas é justificada pelo governo norte-americano como uma resposta a um suposto déficit comercial com o Brasil, o que é contradito pelos próprios dados oficiais, que indicam superávit dos Estados Unidos. Ele afirmou que a alegação é falsa e que a real motivação envolve dois fatores principais: o avanço da regulação de big techs no Brasil e o movimento dos BRICS em direção ao uso de moedas alternativas ao dólar nas transações internacionais.

O comentarista avaliou que a tentativa de regulação das redes sociais no Brasil preocupa as empresas de tecnologia dos Estados Unidos e pode gerar precedentes em outros países. Ele afirmou que esse movimento representa perdas econômicas para companhias norte-americanas e que o discurso de liberdade irrestrita nas redes sociais “não encontra eco no restante do mundo”. Ainda conforme Mauro, o segundo ponto que preocupa os Estados Unidos é o possível enfraquecimento do dólar como moeda central do comércio global.

Mauro destacou ainda que, embora a decisão tarifária tenha surpreendido, há margem para negociação. Conforme mencionou, a própria carta enviada por Trump ao Brasil e a outros países prevê a entrada em vigor das tarifas a partir de 1º de agosto, mas admite alterações nas alíquotas, “para cima ou para baixo”, conforme a relação bilateral. Para o comentarista, trata-se de um padrão de ação do ex-presidente norte-americano, que costuma iniciar negociações com medidas duras, mas deixa espaço para recuo.

Ouça o comentário na íntegra: