Nas Entrelinhas: Tarifa dos EUA pode afetar 85% das exportações industriais do RS, projeta FIERGS
No quadro Entrelinhas da Rádio Uirapuru, desta sexta-feira (1º), o comentarista Mauro Vinícius de Moraes abordou os possíveis impactos do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre os produtos da indústria brasileira. Segundo ele, um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) aponta que 85% dos produtos industrializados gaúchos exportados aos EUA devem ser taxados em 50%, mesmo após o recuo parcial do ex-presidente Donald Trump. A projeção é de uma perda de R$ 1,5 bilhão para o setor apenas no próximo ano. O Rio Grande do Sul seria o segundo estado mais atingido, atrás apenas de São Paulo.
De acordo com Mauro Vinícius, a FIERGS também estimou a possibilidade de 20 mil demissões no setor industrial gaúcho. Diante do cenário, o governador Eduardo Leite anunciou uma linha de crédito de R$ 100 milhões com juros subsidiados, com o objetivo de preservar a competitividade das empresas e os empregos. O comentarista avaliou que a medida surge em um momento de fragilidade econômica para o Estado, agravada pelos efeitos das enchentes e perdas na produção agrícola.
O comentarista também tratou da inclusão do nome do ministro Alexandre de Moraes em uma lista de sanções dos Estados Unidos, com base na Lei Magnitsky. Ele afirmou que Moraes poderá contestar a medida judicial e administrativamente. “A medida assinada por Donald Trump tem sérios impactos financeiros e diplomáticos”, disse, citando congelamento de bens, restrições de entrada no país e limitações em transações com empresas norte-americanas. Segundo ele, mesmo que Moraes não tenha bens ou negócios nos EUA, o bloqueio pode atingir plataformas e serviços com base no país, como operadoras de cartão de crédito, e-mails e redes sociais.
Ao final, Mauro Vinícius ainda comentou a situação da deputada federal Carla Zambelli, presa na Itália. Segundo ele, a Justiça italiana manteve a prisão da parlamentar, e a decisão sobre sua extradição dependerá do ministro da Justiça do país. “Ela poderá, sim, ficar presa por esse período”, afirmou, destacando que o processo pode durar de um ano e meio a dois.
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