Nas Entrelinhas: Base do governo barra convocação de testemunha-chave na CPMI do INSS
O objetivo da comissão é investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. A CMPI é formada por senadores e deputados, num total de 32 titulares e igual número de suplentes.
Mesa:
senador Rogerio Marinho (PL-RN);
presidente da CPMI - INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG);
deputado Duarte Jr. (PSB-MA);
senador Jorge Seif (PL-SC).
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
No quadro Entrelinhas da Rádio Uirapuru desta sexta-feira (3), o comentarista Mauro Vinícius de Moraes relatou que o empresário Maurício Camisotti, investigado por fraudes contra o INSS, tentou transferir R$ 59 milhões para criptomoedas após a deflagração da operação da Polícia Federal que apura descontos irregulares em contas de aposentados e pensionistas. Segundo Moraes, o pedido foi feito ao BTG Pactual, que bloqueou a movimentação e comunicou o caso ao Coaf. Ele destacou que a tentativa de justificar os valores como resultado da venda de um imóvel nos Estados Unidos não foi comprovada e que a instituição financeira agiu de forma preventiva diante da suspeita de lavagem de dinheiro.
Moraes lembrou que o advogado Nelson Williams, também investigado na CPMI do INSS, foi citado na operação. Ele ficou conhecido por ostentar bens de alto valor, como vinhos e veículos de luxo. O comentarista destacou que o caso indica indícios de participação de um grupo criminoso e mencionou ainda a tentativa do investigado de abrir contas em nome de terceiros para realizar transações, o que também foi impedido pelo banco.
Outro ponto abordado por Moraes foi a atuação da CPMI do INSS, que retirou de pauta a convocação de Edson Medeiros Júnior, ex-assessor do chamado “careca do INSS”. Ele lembrou que Medeiros declarou à Polícia Federal que o investigado transportava grandes quantias em dinheiro vivo para pagamento de propina e tentou se desfazer de veículos de alto valor. Moraes questionou a decisão da base do governo de barrar o depoimento e avaliou que o caso revela possíveis conexões com agentes públicos, já que “é muito difícil que uma fraude desse tamanho ocorra sem haver pessoas de dentro da administração pública”.
Ouça o comentário na íntegra: