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Geral

Nas Entrelinhas: Acordo comercial entre Brasil e EUA entra em tensão com novas tarifas anunciadas por Trump

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers
U.S. President Donald Trump speaks to reporters after arriving from Camp David to the White House in Washington, U.S. May 17, 2020. REUTERS/Eric Thayer

O comentarista Mauro Vinícius de Moraes analisou nesta segunda-feira (28), no programa Nas Entrelinhas da Rádio Uirapuru, os possíveis impactos econômicos e políticos da medida anunciada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo Moraes, a justificativa declarada por Trump seria uma retaliação à condução do processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o comentarista aponta que os reais interesses envolvem fatores econômicos e estratégicos.

De acordo com Moraes, produtos como aviões, itens agrícolas, manufaturados e petróleo devem ser atingidos pela medida. Ele afirmou que São Paulo e o Rio Grande do Sul seriam os estados brasileiros mais afetados. O comentarista também lembrou que o Brasil tem superávit comercial com os EUA desde 2009 e destacou que a decisão não poderia ser revertida nem mesmo pelo presidente da República ou pelo STF. “O dono da ação penal é o Ministério Público”, explicou Moraes, ao reforçar que apenas o rito processual pode encerrar o julgamento.

Moraes também abordou supostos interesses econômicos norte-americanos por trás do aumento tarifário. Entre os pontos levantados, estão o receio quanto à regulamentação das redes sociais no Brasil, a importância das reservas brasileiras de terras raras e o impacto do uso do Pix nas receitas de empresas americanas de pagamentos. “Trump está usando Bolsonaro como desculpa”, afirmou o comentarista, ao sugerir que o objetivo seria impedir o avanço do Brasil em áreas estratégicas.

Para Moraes, o poder das grandes plataformas digitais e o controle de dados pelas big techs norte-americanas são centrais na motivação das ações. Ele destacou que 92% dos dados ocidentais estariam nas mãos de empresas dos EUA e apontou que os interesses comerciais e geopolíticos dos Estados Unidos visam manter o Brasil em posição de dependência. “É o tempo do Brasil colônia americana”, concluiu.

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