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Política

Na Uirapuru Vieira da Cunha (PDT) defende mais educação e contrariedade ao regime de recuperação fiscal

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

A Rádio Uirapuru encerrou hoje  (29)  a  série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul.  Foram convidados oito candidatos, que possuem representantes no Congresso Nacional que serão recebidos no estúdio da Uirapuru.  A ordem foi definida conforme a agenda de cada um deles.  Os convites foram encaminhados para: Edegar Pretto (PT); Eduardo Leite (PSDB); Luis Carlos Heinze (PP); Onyx Lorenzoni (PL); Ricardo Jobim (Novo); Roberto Argenta (PSC); Vicente Bogo (PSB) e Vieira da Cunha (PDT).  O primeiro a ser entrevistado, foi o candidato Edegar Pretto (PT), no dia 10 de setembro.  No dia 23 de setembro foi a vez do candidato Roberto Argenta, do Partido Social Cristão (PSC). Hoje  (29) foi entrevistado o candidato Carlos Eduardo Vieira da Cunha (PDT).  A entrevista foi ao ar a partir das 09h. 

Durante o programa, Vieira da Cunha respondeu as perguntas elaboradas pela editoria da Uirapuru e também através dos ouvintes. Como primeira pergunta o candidato foi questionado sobre “quem é Vieira da Cunha? “.  Ele respondeu fazendo uma breve apresentação sobre sua história, que iniciou no município de Cachoeira do Sul.  Passou parte de sua infância em alguns municípios do interior, antes de chegar a Porto Alegre nos anos 70. Uma das cidades que morou, na infância, foi Passo Fundo.

Explicou que filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) em 1981, e no ano seguinte formou-se em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).  Em 1985 concluiu a Escola Superior do Ministério Público, em Porto Alegre, e em 1986 foi nomeado promotor de Justiça do estado do Rio Grande do Sul.  Em 1988 foi eleito vereador em Porto Alegre. Em 2014, retornou à liderança do PDT na Câmara, entre Fevereiro e Julho, mês no qual se licenciou do mandato parlamentar para lançar candidatura ao Governo do Rio Grande do Sul, onde acabou perdendo o pleito, sendo nomeado secretário da Educação posteriormente.

Como segunda pergunta, Vieira da Cunha foi questionado sobre “qual será sua primeira ação se for eleito Governador. Disse que será uma ação judicial contra o acordo que o atual governo estadual fez com a União.  Disse avaliar que o Estado dobrou a espinha para a União e alertou que nos próximos nove anos quem vai ditar as regras no Estado será uma junta com dois representantes federais e um do Rio Grande do Sul.

Afirmou ser algo inadmissível e criticou o reconhecimento de uma dívida estadual que, conforme dados da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB, não tem o tamanho apontado, sendo assim inferior. Disse ainda que o atual governo retirou uma ação, ganha pelo governo anterior em 2017, a qual congelava os pagamentos do Estado para a União.  Com isso, hoje, o Estado está desprotegido e afirmou ainda que o atual regime de recuperação fiscal é um atentado aos princípios do pacto federativo.

Viera da Cunha foi questionado então “qual seria a forma, apontada por ele, de gerir recursos e garantir caixa para as obrigações estaduais” . Como resposta disse que é preciso haver eficiência na arrecadação e combater a sonegação, que ainda é alta e promove concorrência desleal. Também apontou a necessidade de gestão sem desperdícios de recurso, restruturando o serviço público que está, em sua avaliação, sucateado.

Vieira da Cunha foi questionado também sobre como pretende reordenar a administração do Estado.  Respondeu que não é o corte que vai trazer economia.  Defendeu sim a contratação de servidores em áreas deficitárias para atender bem a população, em especial na educação, saúde e segurança. Vieira da Cunha foi questionado sobre “qual sua opinião para concessões de rodovias e aeroportos”. Disse ser favorável, mas não no atual modelo.  Avaliou que ele está concebido de acordo com interesses dos investidores do setor privado. Criticou o atual governo dizendo que as decisões são tomadas sem diálogo com a comunidade.

Disse ainda que em muitas regiões do Estado se depara com reclamações sobre praças de pedágio, por exemplo, em perímetros urbanos.  Defendeu um modelo diferente de cobrança pedagiaria, baseada nos km percorridos. Disse que, em seu governo, a comunidade vai decidir as prioridades de investimento através de conselhos.  O candidato foi questionado também sobre se vai rever o modelo de concessões de estradas pedagiadas na região, diante da ausência da duplicação na perimetral sul de Passo Fundo. Em resposta disse que vai rever todas as concessões, de maneira democrática com a sociedade. Afirmou ainda lamentar que isso não tenha sido feito.

Foi questionado também sobre “qual sua opinião a respeito das privatizações do Banrisul e da Corsan” . Em resposta disse ser contrário.  Afirmou que vender, de acordo com exemplos do passado, não traz soluções a longo prazo. O que precisa haver é gestão eficiente.  Disse ainda que os governos colocam pessoas não para administrar as empresas, mas para vender as mesmas, ligados a sistemas financeiros nacionais. Criticou também privatizações da Corsan, pois a água é um bem público para o povo. Disse ainda que em seu governo o Banrisul seguirá sendo público.

Sobre a dívida do IPE com os Hospitais, disse que é segurado do plano e reconhece que o órgão tem mais gastos do que arrecada.  Como solução primária disse ser preciso colocar novos funcionários servindo para aumentar as receitas do IPE.  Depois será preciso procurar o equilíbrio, verificando se o desconto atual é necessário para manter o sistema. Vieira da Cunha foi questionado também sobre qual sua proposta para acabar com as filas de consultas e falta de especialistas. Respondeu que a população está muito mal atendida em todos os aspectos quando se fala em saúde pública. Disse que vai aumentar os recursos para a saúde, criticando que o Estado colocou apenas 10% dos 12% estipulados por lei.  Em seu governo disse que os investimentos irão além disso.

No campo da educação, foi questionado sobre “o que pode ser feito para melhorar o desempenho dos alunos e nas obras para escolas”.  Como resposta, disse que os últimos governos se especializaram em desativar e fechar escolas. Disse que a educação é a prioridade das prioridades de seu plano de governo, uma vez que foi secretário de educação. Disse ainda que se depender das ações da estrutura do Estado, obras em escolas não saem nunca.

Diante disso, destacou que sua proposta será cumprir a constituição do Estado, alocando recursos determinados por ela para o setor da educação. Vieira da Cunha falou ainda sobre a escola em tempo integral, destacando acreditar que o Estado tem condições de ter este modelo de ensino implementado. Disse que o sistema de ensino público está falido e a prova disso é a falta de pessoas capacitadas, sem formação. Disse também que a escola de tempo integral acabaria com a evasão escolar no Estado, educando de verdade. Sobre a segurança pública disse que não se conforma com o avanço da violência no Estado. Defendeu contratar mais profissionais de segurança, bem remunerados e valorizados, sem defasagem de efetivo nas polícias.

Finalizou a entrevista de uma hora dizendo que pretende ter um ótimo relacionamento com o parlamento gaúcho, se eleito, destacando que esteve lá por 12 anos, tendo excelente trânsito com todos os partidos.  Falou ainda que tem muito orgulho de ter como candidato a Presidente da República Ciro Gomes, sem polarização e ofensas, mas com uma proposta concreta. Agradeceu a todos e disse que sente-se maduro, após 42 anos de vida pública, para fazer um governo que o Estado precisa.

 

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