Na Uirapuru, jurista Dárcio Vieira Marques analisa a indicação de Cristiano Zanin Martins para o STF
O advogado Cristiano Zanin Martins, 47 anos, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O parecer foi lido ontem (15) na CCJ pelo relator, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Em seguida, foi concedida vista coletiva aos parlamentares. A sabatina está marcada para próxima quarta-feira (21).
O Jurista Dárcio Vieira Marques fez uma análise desta situação ao vivo na programação da Uirapuru e classificou a indicação como escrachada, pois o presidente da República indica para ministro do Supremo o seu próprio advogado. Assim, o jurista Dário Vieira Marques salienta que Cristiano Zanin teria comprometimento em sua independência para julgar eventualmente o próprio presidente. Sobre a sabatina no Senado, Dárcio Vieira Marques lembra que embora existam divergências, o indicado acaba sendo aprovado pelos senadores.
A respeito da trajetória profissional, o jurista pontua que Cristiano Zanin Martins é genro de Roberto Teixeira, um dos maiores advogados do Brasil, e, portanto, tem uma situação econômica confortável. Com a indicação para ser o advogado do presidente Lula, Martins travou uma batalha intensa, com diversos recursos e petições, fazendo das tripas o coração para tentar evitar a prisão do então ex-presidente.
Dárcio Vieira Marques questiona o conhecido “notável saber jurídico” de Cristiano Zanin, critério geralmente concedido a profissionais destacados, seja por lecionar o direito, ter julgamentos destacados ou escrever livros, embora este perfil não esteja mais sendo seguido há cerca de 15 anos. No aspecto financeiro, a remuneração do Ministro do Supremo gira em torno dos R$ 70 mil, valor que conforme Dárcio, é inferior ao que Martins poderia receber seguindo em banca do advogado Roberto Teixeira Porém, quando deixar o Supremo, após muitos anos, poderá angariar fortes clientes, canalizando inclusive mais casos atualmente para o escritório de Roberto Teixeira.
Além disso, o jurista Dárcio Vieira Marques diz que o poder é uma atração nesse caso, que cativa e encanta o indivíduo, até porque o número de ministros que já passou pelo Supremo não chega a 300. Nesse sentido, ser ministro do Supremo pode dar a Cristiano Zanin a vaidade do cargo, bem como a honraria da importância em tomar decisões fundamentais para o Brasil. Conforme Dárcio Vieira Marques, a vaidade e a honraria podem permear a aceitação de Cristiano Zanin Machado para ocupar o cargo de ministro do Superior Tribunal Federal.