Na Uirapuru, historiador afirma que Diretas Já foi uma das mais fantásticas mobilizações da história do Brasil
Dia 25 de abril é uma data histórica para o Brasil. Em 1984 a proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 5, de 2 de março de 1983, que decidiria sobre o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República, foi derrubada em votação na Câmara dos Deputados.
Mais conhecida como Emenda Constitucional Dante de Oliveira, ela recebeu 298 votos a favor, 65 contra e três abstenções. Houve 113 ausências, a maioria do PDS, que integrava a base do governo militar na Câmara. No entanto, por ser emenda constitucional precisaria de dois terços da casa, ou seja, 320 votos. A derrota resultou no fim da mobilização causada pela campanha das Diretas Já.
Nesta quinta-feira (25), durante o Repórter do Povo, o historiador Maurício Paim destacou que as “Diretas Já” foi uma das mais fantásticas mobilizações da história do Brasil. Era um aglomerado de pessoas nas principais cidades, vestidas de verde e amarelo, defendendo a eleição presidencial com o voto do povo.
A campanha contou com grandes lideranças, como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Leonel Brizola, Casagrande e Sócrates, da Democracia Corintiana.
Paim lembrou dos deputados gaúchos que, na época, foram contra a emenda: Guido Moesch, Nelson Marchezan (falecido), Oly Fachin, Vinícius Pratini de Moraes, Rubens Ardenghi e Victor Faccioni.
Em 15 de janeiro de 1985 Tancredo Neves foi eleito presidente, tendo como vice José Sarney, mas, às vésperas da posse, em 21 de abril, Tancredo faleceu e Sarney assumiu a presidência do país.
Os brasileiros esperaram até 1989 para escolher seu presidente através do voto secreto e universal, 29 anos depois da última eleição direta.