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Política

Na Uirapuru, deputados debatem validade de plebiscito que vai decidir futuro de três empresas estatais do estado

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

O plebiscito que decidirá o futuro da Companhia Riograndense de Mineração (CRM), Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e Sulgás pode acontecer em outubro. Pelo menos é o que deseja o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori. Na última quarta-feira (25) ele formalizou um pedido para mudar o prazo da realização do plebiscito. O projeto de lei enviado para a Assembleia Legislativa estabelece que a autorização possa ser feita até 90 dias antes das eleições, diferente da norma estadual de 1991, que prevê cinco meses. A solicitação do governo estadual é de que a consulta ocorra em outubro.

 

Sartori voltou a reforçar que não cabe ao Estado explorar carvão e a Sulgás precisa de investimentos que o governo não tem condições de fazer. Ressaltou que em relação a CEEE, a companhia pode perder a concessão se não receber um aporte financeiro que é impossível para o Estado. Desta forma, o ideal seria que as estatais fossem assumidas pelo governo federal ou iniciativa privada. Conforme cálculos do governo, R$ 2,2 bilhões entrariam nos caixas públicos com a venda destas empresas.

 

Em entrevista à Uirapuru, o deputado estadual Gilberto Capoani (MDB), que integra a base do governo, explicou que no plebiscito a população vai poder dizer que tipo de Estado ela quer. Se deseja que o dinheiro dos impostos seja gasto com saúde, segurança, educação, obras sociais e infraestrutura, ou se deve continuar sendo investindo em empresas de gás, de energia elétrica e em mineradora de carvão que trazem prejuízos. Capoani destacou que somente a CEEE no ano retrasado deu um prejuízo ao Estado de R$ 516 milhões e no ano passado quase R$ 1 bilhão.

 

Para o deputado estadual Juliano Roso (PCdoB), o plebiscito é uma cortina de fumaça para que a população esqueça do atraso do salário do funcionalismo, esqueça que o governo é responsável por quase cinco mil brigadianos a menos nas ruas, que ele tem sucateado a educação pública e fechado escolas e que não tem uma obra importante realizada. Falou que o objetivo é tirar a atenção dos fatos mais importantes, que temos uma eleição e que o Estado de fato vive uma crise. Roso disse que tem dúvidas se o plebiscito realmente vai acontecer. Ele acha que o projeto do governo de mudar o prazo da consulta não vai prosperar.

 

O deputado frisou que a Sulgás é uma empresa altamente lucrativa, assim como a CRM, que deu lucro nos últimos 20 anos e que, coincidentemente, não deu no governo Sartori. Em relação à CEEE, que possui uma dívida grande, a alternativa é vender as ações da empresa e utilizar os recursos para se modernizar e tapar o rombo do caixa. Salientou que nenhuma destas estatais retira dinheiro dos cofres do governo. Todas são autônomas, pagam os seus prejuízos e o que tiverem de lucro repartem com o Estado.