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Polícia

MPF acusa delegado de acobertar práticas ilícitas e não investigar desvios de verbas do HSVP na primeira fase da operação

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Mais uma fase da Operação Efeito Colateral, que apura esquema de corrupção no fornecimento de dispositivos médico-hospitalares, foi realizada na manhã desta quarta-feira (05), em Passo Fundo.

 

Na III etapa, o foco se voltou à conduta de um delegado da Polícia Federal, lotado em Passo Fundo. Celso André Nenê dos Santos é suspeito de não investigar desvio de verbas no Hospital São Vicente de Paulo, o qual teria sido solicitado pelo Ministério Público Federal, além de ter sido identificado recebimento de valores supostamente indevidos por parte do servidor.

O delegado foi afastado do cargo por 120 dias, tempo considerado suficiente para que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal concluam o inquérito policial. Durante a manhã, de forma discreta, seis mandados de busca e apreensão foram cumprindos no município. Conforme assessoria de imprensa da Polícia Federal, a fase III da operação, tem uma investigação à parte das apurações anteriores.

Passo Fundo

As investigações que apuram irregularidades no HSVP iniciaram ainda em agosto do ano passado, pela Polícia Federal de Passo Fundo. A Rádio Uirapuru acompanhou a I operação, realizado em março deste ano, que apontou a ilegalidade de repasses dos recursos do hospital para uma empresa de fachada, localizada em Florianópolis/SC. As diligências tiveram início, conforme esclarecido na época, a partir de graves denúncias que envolviam verbas específica do SUS.

Através de apreensão de documentos, que ocorreu na primeira operação, em março deste ano, foi possível chegar à empresa que fornecia os materiais. O proprietário seria um laranja – a pessoa que intermedia transações financeiras fraudulentas, emprestando seu nome, documentos ou conta bancária para ocultar a identidade de quem a contrata – e tinha vínculo familiar com algum funcionário integrante da direção do hospital.
A partir da identificação do laranja, as investigações deixaram de ser responsabilidade da delegacia da Policia Federal de Passo Fundo e passaram a ser conduzidas por Porto Alegre, o que causou estranheza à comunidade.

Porto Alegre

A II fase da operação já foi realizada pela Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros, de Porto Alegre, em 15 de maio de 2018.
As equipes estiveram no município cumprindo ordens judiciais em diversos endereços. Clínicas, empresas ligadas à área médica e algumas casas em que residiam médicos foram alvo da ação policial.

 

No Hospital São Vicente de Paulo também foram realizadas buscas. Os policiais foram vistos com malotes, onde guardavam documentos e objetos, considerados importantes nas investigações. Na ocasião, o delegado responsável pelas diligências, não se manifestou e os nomes dos envolvidos não foram revelados.

Envolvimento do delegado

Após a segunda fase, um novo inquérito policial foi aberto para apurar a conduta de um delegado. Foram identificados recebimento de valores supostamente indevidos por parte deste servidor.

Verificou-se ainda que o policial adquiriu cotas sociais de uma empresa que atuava no ramo da importação, exportação, distribuição e comercialização de equipamentos e materiais médico-hospitalares.

 

Além do servidor, que foi afastado das funções por decisão judicial, outras pessoas são investigadas nesta fase, entre elas um médico.

 

Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira (6), o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo afirmou que “repudia a atitude de vincular a imagem do hospital com esta fase da operação da Polícia Federal, visto que a Assessoria de Imprensa da PF, divulgou em alguns veículos de comunicação, que ‘… a fase III da operação, tem uma investigação à parte das apurações anteriores’.”

 

O HSVP ainda enfatizou que não há desvio de verbas públicas e nem privadas na instituição, tendo em vista que os controles são extremamente rigorosos.