MP recorre de decisão que negou prisão preventiva de acusado de matar gerente do Sicredi de Anta Gorda
O Promotor de Justiça André Prediger apresentou nesta sexta-feira (12) um recurso em sentido estrito à 1ª Vara Judicial de Encantado para reformar a decisão que negou pedido de prisão preventiva do dentista denunciado pela morte do gerente do Sicredi de Anta Gorda, Jacir Potrich. No recurso, o promotor de Justiça frisa que a prisão é necessária para a garantia da ordem pública, para a conveniência da instrução criminal e para a garantia da aplicação da lei penal.
O recurso destaca que a comunidade recebeu com indignação e sentimento de injustiça a decisão que negou o pedido de prisão preventiva do réu. Nesse sentido, o promotor de Justiça destaca que o conceito de ordem pública não se limita a prevenir a reprodução de fatos criminosos, mas também a acautelar o meio social e a própria credibilidade da Justiça em face da gravidade do crime e de sua repercussão.
O MP ainda reitera a necessidade da prisão em virtude da possibilidade do réu, que possui dupla cidadania e elevada condição financeira, e pode deixar o país a qualquer momento para se ver livre das acusações e dos crimes que lhe são imputados.
Denúncia
A Promotoria de Justiça de Encantado apresentou, nesta quinta-feira (11), denúncia contra o dentista acusado pelo homicídio triplamente qualificado de Jacir Potrich, 55 anos, desaparecido em 13 de novembro do ano passado. A denúncia foi recebida pela Justiça no mesmo dia, mas o pedido de prisão preventiva do denunciado não foi acatado. Ele chegou a ser preso temporariamente em janeiro deste ano, mas foi solto após o julgamento de um habeas corpus pelo Tribunal de Justiça do Estado. Também deverá responder por ocultação de cadáver.
Conforme a denúncia, elaborada com base nas investigações da Polícia Civil, no dia do desaparecimento, no condomínio onde ambos moravam, o acusado modificou o ângulo de uma das câmeras de vigilância e desligou outra para evitar que o local do crime, um quiosque, não registrasse o momento do assassinato.
Assim, imagens que formam o conteúdo probatório do processo mostram a vítima indo até o quiosque e sendo seguida pelo acusado. Um minuto depois, apenas o denunciado é visto saindo do local. Essas são as últimas imagens de Potrich.
Assim, o dentista foi denunciado por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe (a desavença existente entre os dois há anos em virtude da troca de endereço do banco no qual a vítima era gerente), por asfixia e com recurso que dificultou a defesa da vítima – além de ocultação de cadáver.
Durante a coletiva de imprensa, o promotor de Justiça reiterou que as investigações da Polícia Civil seguem em andamento no caso de haver outras pessoas envolvidas na ocultação de cadáver.
*MP/RS