Momento atual do mundo faz o Brasil ser atrativo para investidores estrangeiros, declara economista
O Brasil enfrenta a maior inflação em 28 anos. Neste contexto, o dólar está baixando nos últimos dez dias e a Cesta Básica de Passo Fundo apresentou alta de 3,49% em março.
Falando sobre o assunto na Uirapuru, o economista, doutor e professor em Economia na Universidade de Passo Fundo (UPF), Julcemar Zilli, explicou que dois efeitos ocorrem atualmente na economia mundial. O primeiro é um aumento nos preços na maioria dos países, causado inicialmente pela pandemia, onde pessoas ficaram muito tempo restritas a produtos e serviços. Conforme Zilli, agora, com a redução no impacto da pandemia, a população voltou a consumir os bens que consumia antes, no entanto, não há tantos produtos disponíveis, fazendo com que os preços disparem.
Além disso, a guerra fez com que também disparassem os preços das commodities, especialmente o petróleo, muito produzido na região de Rússia e Ucrânia. Segundo o economista, por ser matriz energética muito importante, o petróleo faz com que aumente também o custo de produção de todos os bens de serviços da economia. Isso tudo, de acordo com Zilli, gera o efeito chamado “inflação de custos”. Ou seja: anteriormente os aumentos ocorriam devido a demanda e agora passaram a acontecer graças aos custos elevados provenientes do petróleo e gás natural.
Sobre o câmbio, que nada mais é que o preço do dinheiro internacional, Zilli destacou que os investidores internacionais estão procurando diferentes países para colocar dinheiro. Eles priorizam países com alta rentabilidade e baixo risco. Segundo o economista, isso faz com que os investidores tenham receio de depositar dinheiro em países que podem envolver-se diretamente com a guerra e por isso procuram lugares seguros para investimentos, como o Brasil.
Conforme Zilli, o país está atrativo para investidores estrangeiros atualmente, fazendo com que muitos deles tragam dólares ao Brasil. De acordo com o economista, isso faz com que a cotação do câmbio pressione para baixo e traga efeitos até mesmo na Bolsa de Valores, com maior compra de ações das empresas brasileiras.