Skip to content

Região

Mergulhador do Corpo de Bombeiros relata como funciona uma operação de busca e faz alerta após homem se afogar na barragem de Ernestina

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

No último domingo (02) um homem de 28 anos, identificado como Lucas Queiroz, morreu afogado após cair nas águas da barragem de Ernestina. Ele era morador de Marau e estava com amigos em uma embarcação quando o acidente aconteceu. Desde o domingo até a manhã desta quinta-feira (06), equipes de mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar de Passo Fundo realizaram uma operação de busca para resgatar o corpo da vítima.

O corpo foi localizado boiando, em uma das margens da represa. Foram quase 72 horas de trabalho que envolveu Bombeiros, Batalhão Ambiental da Brigada Militar e Marinha do Brasil. Conforme o tenente e responsável pela equipe de mergulho do Corpo de Bombeiros, Ederson De Bairros, logo após o acionamento, ainda no domingo à noite, foram iniciados os trabalhos de busca. As equipes concentraram os esforços nos locais indicados por uma testemunha que estava presente no momento do acidente. Todos os dias foram realizados mergulhos até ser localizado o corpo na manhã desta quinta-feira.

O tenente explica que a corporação não tem uma equipe de mergulho de pronto emprego, então depende da disponibilidade dos mergulhadores. No domingo, um dos soldados mergulhadores estava de serviço e Bairros, que estava de folga, foi direto ao quartel para iniciar o deslocamento para o local do afogamento.

De acordo com o Bombeiro, o planejamento foi baseado em relato de testemunhas e em imagens de câmeras nas proximidades.  Com isso, foi traçado uma área de busca extensa, com pontos de até 400 a 500 metros de distância entre si. Uma das dificuldades na operação é a profundidade da barragem que varia entre 9 e 17 metros no local. As condições eram difíceis, pois o local é uma área alagada — ou seja, há árvores, troncos, redes de pesca submersas — o que dificulta a mobilidade do mergulhador e aumenta os riscos da operação. A visibilidade também é mínima, sendo um trabalho demorado e muito técnico.

Conforme Bairros, a equipe é muito bem preparada, porém existem limitações. Os bombeiros conseguem mergulhar com segurança até 30 metros de profundidade. No entanto, abaixo de 12 metros, já é preciso seguir tabelas específicas de tempo e exposição, para não ultrapassar os limites seguros. Em mergulhos de até 10 metros, é possível permanecer mais tempo no fundo sem restrições, mas quanto mais profundo, menor o tempo permitido.

O tenente finalizou a entrevista ressaltando que não é recomendado banho em barragens. O ideal é procurar clubes, campings ou piscinas com estrutura adequada e guarda-vidas. Em barragens, o fundo é irregular, há galhos, buracos e risco de afogamento mesmo para quem sabe nadar.