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Agronegócios

Mercado agropecuário enfrenta desafios com clima adverso impactando na colheita

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

As recentes chuvas em diversas regiões do país e a instabilidade do câmbio têm impactado diretamente os preços das commodities agropecuárias. Segundo especialistas, o mercado segue atento às variações climáticas e econômicas para definir os próximos passos.

Cláudio Doro, analista de mercado, afirmou que o excesso de chuvas nas regiões produtoras tem prejudicado a colheita da soja e impactado a qualidade dos grãos. Ele explicou que a umidade elevada dificulta o processo de secagem e pode resultar em perdas para os produtores.

Além disso, ele destacou que, para as lavouras de soja, a colheita tem sido uma experiência desafiadora. “O grão verde está mais presente, e a produtividade por hectare tem mostrado variações significativas. Muitas áreas que não tiveram uma secagem adequada podem ter uma perda expressiva na colheita”, afirmou.

Em algumas áreas, a produtividade tem sido de apenas 15 sacas por hectare, o que é preocupante. “Estamos vendo áreas com rendimentos entre 25 e 42 sacas por hectare. Em uma perícia recente, identificamos 15 sacas por hectare em algumas lavouras”, disse Lucian Remor.

A questão do grão verde tem gerado preocupação, já que ele não sai na peneira corretamente e pode afetar o peso total da soja. De acordo com Emeri Tonial , “esse grão verde, por não estar completamente maduro, se mistura nos silos e pode trazer dificuldades no processo de armazenamento”.

Em relação à decisão sobre o melhor momento de colher, o analista (pessoa) comentou que, embora o grão verde esteja mais presente, ele também observa uma melhora em algumas áreas após a recente chuva. “Com a chuva, o grão verde começa a engordar um pouco, o que ajuda no enchimento do grão, mas isso também retarda a secagem, complicando a logística de colheita.”

Os produtores estão tendo que tomar decisões difíceis para não comprometer ainda mais a qualidade da soja. “Na colheita, o que mais importa é minimizar as perdas. Para isso, a secagem e o momento certo de colher são essenciais, especialmente nas áreas que estão muito desuniformes”, afirmou Luciano Remor.

Além disso, alguns especialistas recomendam a dessecação para uniformizar a maturação das plantas, o que ajuda a reduzir perdas durante a colheita. O custo adicional, de cerca de R$ 45 por hectare, é visto como necessário para que a colheita seja mais eficiente e as perdas sejam minimizadas.

Luciano Remor também mencionou a dificuldade enfrentada por muitos produtores devido à seca. “Este ano, as lavouras de soja estão sofrendo muito com a falta de chuva. Em algumas áreas, já foi possível colher, mas os rendimentos estão muito abaixo da média histórica”, observou Claudio Doro.

No entanto, ele apontou que as áreas que receberam uma boa quantidade de chuva nos meses de dezembro e janeiro têm mostrado melhores resultados. “Essas áreas, que receberam mais de 120 mm em janeiro e mais de 180 mm em fevereiro, estão com um desempenho mais favorável, com rendimentos de até 85 a 87 sacas por hectare”, disse Luciano Remor.

Apesar da chuva recente, a preocupação com o impacto nas finanças dos produtores continua. “O ano está desafiador, e muitos produtores estão apavorados, pois não conseguirão pagar suas dívidas com esses rendimentos”, relatou Doro.

Tonhal Cereais também está lidando com as dificuldades na colheita. Emeri mencionou que os grãos entregues à empresa estão com um aspecto ruim devido à imaturidade. “Esses grãos verdes estão mais presentes, e vamos ter que fazer ajustes para lidar com essa situação. A grande preocupação é saber como a exportação vai reagir a esse tipo de soja, que pode ter descontos”, explicou.