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Geral

Menos encontros e mais distância: psiquiatra alerta para impacto das mudanças no convívio familiar

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto
Se dias ruins se prolongarem é hora de procurar ajuda profissional
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A Rádio Uirapuru realiza semanalmente o programa Emoção, Afeto e Comportamento, que conta com a apresentação do psiquiatra Dr. Erico Hecktheuer.  Tradicionalmente o programa recebe convidados para abordar os mais diferentes temas do cotidiano.  Na última edição, porém, o Dr. Erico optou por debater com os ouvintes em uma temática livre.

Mesmo com a proposta aberta, um dos pontos que se destacou ao longo da conversa foi a mudança na dinâmica familiar e como isso tem impactado diretamente o convívio entre as pessoas. Durante o programa, o psiquiatra observou que hábitos antes considerados tradicionais, como reuniões frequentes entre familiares, vêm se tornando cada vez mais raros.

De acordo com ele, momentos como os almoços de domingo, que antes funcionavam quase como um compromisso entre diferentes gerações, perderam espaço na rotina atual. Hoje, esses encontros deixaram de ser prioridade e passaram a depender de fatores como disponibilidade e conveniência, o que acaba reduzindo significativamente a frequência das interações.

O especialista destaca que essa transformação não está necessariamente ligada à falta de afeto, mas sim à perda do hábito de convivência. As pessoas continuam se importando umas com as outras, porém estão menos dispostas a organizar e participar desses momentos, muitas vezes por conta da correria do dia a dia ou da busca por descanso.

Outro fator que contribui para essa mudança é o estilo de vida contemporâneo, marcado por agendas cheias, foco em produtividade e menor tolerância para lidar com as diferenças naturais das relações familiares. Segundo o psiquiatra, esse conjunto de comportamentos faz com que o convívio, que exige esforço e dedicação, acabe sendo deixado em segundo plano.

Ao longo da conversa, também foi mencionado que a pandemia teve um papel importante nesse processo. O período de isolamento intensificou o distanciamento físico e consolidou hábitos mais individuais, além de ampliar o uso das tecnologias como principal forma de contato. No entanto, mesmo após esse período, muitos desses comportamentos permaneceram.

Nesse contexto, a tecnologia aparece como um elemento ambíguo. Embora facilite a comunicação, ela também contribui para relações mais superficiais. O contato presencial, com troca direta e convivência, tem sido substituído por mensagens rápidas, o que, na prática, enfraquece os vínculos familiares.

O psiquiatra ainda chama atenção para o crescimento do individualismo, que faz com que cada pessoa priorize suas próprias vontades e rotinas, muitas vezes deixando de lado compromissos coletivos. Esse movimento, segundo ele, acaba reduzindo as oportunidades de encontro e, consequentemente, o fortalecimento dos laços.

Apesar desse cenário, o especialista reforça que é possível reverter essa tendência. Ele destaca a importância de retomar, mesmo que de forma simples, os momentos de convivência, criando oportunidades de encontro e valorizando a presença física.

A reflexão proposta durante o programa aponta que, mais do que grandes eventos, o essencial está na constância das relações. Pequenos encontros, conversas e momentos compartilhados podem ser suficientes para resgatar vínculos e fortalecer a estrutura familiar, que segue sendo fundamental para o equilíbrio emocional.