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Cidade

Médicos residentes aderem a paralisação nacional em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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Médicos residentes de Passo Fundo e outras seis cidades do Estado se mobilizam nesta quinta-feira (24) dentro da paralisação nacional da categoria. Os protestos atingem 22 hospitais – 21 deles com suspensão de atendimentos (consultas e cirurgias eletivas) – para chamar a atenção da sociedade à valorização da formação dos futuros especialistas. O movimento é contrário a cortes nas verbas para a saúde pública, alvo do ajuste fiscal.

 

O movimento é liderado, no Estado, pela Associação dos Médicos Residentes do RS (AMERERS) e, no País, pela Associação Nacional dos Médios Residentes (ANMR). O Sindicato Médico do RS (SIMERS) apoia a mobilização. Em Passo Fundo os residentes do Hospital da Cidade (vão parar) e do São Vicente de Paulo (apoiarão mobilização, sem parar atendimentos).

 

A Associação dos Médicos Residentes do Estado (AMERERS) já comunicou a direção dos hospitais para se antecipar e ajustarem agendas de consultas e procedimentos, minimizando o impacto a pacientes, ressalta o presidente da AMERERS, Paulo Ricardo Mottin Rosa. Os residentes participam da maior parte dos atendimentos do SUS, onde fazem a formação nas mais de 50 especialidades médicas reconhecidas.

 

Especialidades na vitrine

O movimento ocorre justamente em um momento em que o governo federal anuncia ampliação de vagas e programas que viraram trampolim para ingressar nas residências (como o Provab), mas a preocupação é com a garantia da qualidade na formação. Além da fiscalização sobre as condições do treinamento dos médicos, o movimento de residentes defende  a valorização do médico preceptor, que monitora e apoia o treinamento.

 

“A proposta é criticada pela ausência de estrutura para receber médicos residentes com preceptoria adequada e pela questionável prioridade na quantidade de vagas, em vez da qualidade do programa. Há o risco de se formar médicos sem a competência necessária para resolver as demandas da população, desde a atenção básica até consultas especializadas (oftalmologia, psiquiatria, ortopedia), que demoram, eventualmente, até um ano para acontecer”, reforçou Mottin.

 

Até 2018, o governo federal quer alcançar uma vaga de residência para cada médico formado. Desde 2013, já teriam sido autorizadas 4.742 vagas dentre as 12,4 mil previstas para formação de especialistas. Em agosto, foi anunciada a criação de mais 3 mil bolsas de residência no País (2 mil financiadas pelo Ministério da Saúde e mil pelo Ministério da Educação). A quantidade deve chegar a 7.472 vagas (62% da meta), segundo o governo — 75% das ofertas serão para Medicina de Família e Comunidade. A proporção é criticada, devido à carência de especialidades em diversas áreas.

 

Confira o documento com a posição da categoria no Estado:

A Associação dos Médicos Residentes do Rio Grande do Sul (AMERERS) decide aderir à paralisação em consonância com o Movimento Nacional de Valorização da Residência Médica, organizado pela Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR). As ações de valorização dos programas de Residência Médica são muito bem-vindas. Com a perspectiva de abertura de um grande número de vagas em programas no curto prazo, apoiamos o fortalecimento dos instrumentos de fiscalização dos novos programas com ênfase na manutenção da qualidade da formação.

 

Da mesma forma, salientamos a necessidade de valorização da preceptoria, através de medidas como plano de carreira e remuneração adequada. Apoiamos a Residência Médica como padrão-ouro na formação de especialistas. Defendemos a reconsideração dos cortes orçamentários dos serviços de saúde do SUS que, além de prejudicar a assistência dos pacientes, compromete o adequado treinamento dos médicos especialistas em formação.

 

Desta forma, gostaríamos de informar aos médicos residentes do Rio Grande do Sul e seus respectivos coordenadores de curso que a AMERERS participará da paralisação nacional do dia 24 de setembro, a partir das 10 horas da manhã, em frente ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Sugerimos aos respectivos serviços que se organizem para liberar seus residentes durante este período.