Matéria especial: nem todas as pessoas comemoram o Natal
Corrida para compra de presentes, envolvimento com celebrações em igrejas, preparação da ceia de Natal. Essas atividades, muito comuns neste período para grande parte a população mundial, não fazem parte da vida de outros tantos mulheres e homens que seguem religiões não baseadas no cristianismo. Budistas e judeus, por exemplo, não comemoram o Natal. Alguns têm outras festas, até semelhantes, mas com outras tradições.
De acordo com a doutora em História da Universidade de Passo Fundo, Gizele Zanotto, a comemoração do Natal coincide com a celebração do solstício de inverno.
Há celebrações pelo solstício de inverno em muitas sociedades, todavia, sua interpretação como data celebrativa do nascimento de Jesus é restrita aos cristãos. Os islâmicos, budistas, judeus e outros reconhecem a sabedoria, importância ou mesmo a relação divina de Jesus, mas não têm nesta data um momento de celebração de destaque. Certamente que as culturas se influenciam e há religiosos de outros credos que acabam adotando a data como momento especial para ficar em família, trocar presentes etc., mas o crer envolvido ao nascimento de Cristo não é o fundamental”, explica.
A restrição às comemorações de Natal pelos cristãos é algo que aconteceu com o passar dos anos, pois a festa do nascimento de Jesus é comemorada desde o século III. A data era antigamente de uma festa pagã de homenagem ao Sol, realizada pelo povo romano. Nesta época do ano, é inverno no hemisfério Norte e o evento tinha a intenção de motivar a esperança do retorno da luz. Com o passar dos anos, a Igreja Católica se apropriou dessa celebração e trocou o Sol por Jesus.
Outras comemorações
Embora a homenagem ao nascimento de Jesus seja comemorada pelos cristãos desde o século III, com o embasamento que a época natalina tomou ao longo dos anos pela Igreja Católica, festa ficou mais restrita aos católicos.
No judaísmo, por exemplo, em vez de Natal é dia de Chanucá ou Hanukkah, a Festa das Luzes. São oito dias de celebração. A cada noite é acesa uma das nove velas de um candelabro especial.
Yemanjá, Yansã e Oxum são entidades comemoradas ao longo do ano nas religiões afro-brasileiras, por exemplo, que têm no mês de dezembro um simbolismo todo especial. Mas para os umbandistas a comemoração do Natal cristão é algo mais natural, porque a maioria dos seus seguidores e médiuns praticantes veio da religião cristã. A umbanda encontrou um lugar para Cristo no rol de suas divindades – ele é associado a Oxalá, considerado o maior Orixá de todos.
No dia 25 de dezembro, os umbandistas agradecem à entidade que, segundo a sua crença, comanda todas as forças da natureza. Alguns terreiros de Candomblé também oferecem algum ritual especial à data, mas a prática não configura uma passagem obrigatória em todos os centros.