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Geral

Mapa de Empresas aponta crescimento de MEIs em Passo Fundo, mas número de fechamentos também chama atenção

Públicado em Por RD Uirapuru / Bruno Reinehr

O Mapa de Empresas, painel do Governo Federal, revela um retrato atualizado da dinâmica empresarial em 2025 e ajuda a compreender o comportamento dos microempreendedores individuais (MEIs) em Passo Fundo. Os dados mostram crescimento no número de aberturas, mas também um volume expressivo de encerramentos, o que levanta questionamentos sobre o ambiente econômico, políticas de apoio e a sustentabilidade dos pequenos negócios no município.

Para analisar esse cenário local, a reportagem da Rádio Uirapuru entrevistou Luiz Fernando Cauduro Telles, responsável pelo Projeto Cidade Empreendedora do Sebrae RS, que atua no Espaço do Sebrae em Passo Fundo.

Segundo Luiz Fernando, os números divulgados pelo Governo Federal refletem uma economia local considerada pujante. Passo Fundo segue como um dos municípios de destaque do Rio Grande do Sul, especialmente no que diz respeito ao empreendedorismo individual. Em 2025, mais de cinco mil microempreendedores individuais abriram negócios na cidade.

Ao mesmo tempo, houve o fechamento de pouco mais de três mil MEIs ao longo do ano. Ainda assim, o saldo permanece positivo. Conforme o representante do Sebrae, essa movimentação acompanha uma tendência observada desde a criação do MEI, em 2009, política pública que se aproxima de completar duas décadas no Brasil e que teve impacto direto na formalização de atividades antes exercidas de forma informal.

Luiz Fernando destacou que a criação do MEI trouxe dignidade e direitos aos trabalhadores, especialmente no acesso à previdência social, benefícios por afastamento e segurança jurídica para quem empreende por conta própria. Em comparação com 2024, Passo Fundo registrou um crescimento de aproximadamente 17% no número de MEIs ativos em 2025.

Sobre o perfil dos empreendedores, o responsável pelo Projeto Cidade Empreendedora explicou que a tendência de crescimento segue estável ao longo dos anos, com predominância do setor de serviços. A maioria dos microempreendedores individuais atua como prestador de serviços, seja iniciando o primeiro negócio, seja após sair de um emprego formal.

Entre os principais motivos que levam à formalização, Luiz Fernando apontou a simplicidade do processo, a redução da burocracia, o baixo custo tributário mensal e a dispensa de diversos alvarás, que hoje são emitidos de forma automática para atividades de baixo risco. Além disso, o MEI possibilita a emissão de notas fiscais, a formalização de parcerias com outras empresas e o acesso a novos mercados.

Apesar das vantagens, o representante do Sebrae ressaltou que a formalização também exige responsabilidades, como o pagamento mensal do DAS e a entrega da declaração anual, além do cumprimento da legislação específica de cada atividade.

Em relação aos encerramentos, Luiz Fernando afirmou que os números estão dentro de um fluxo considerado normal. Em 2024, Passo Fundo registrou cerca de 2.400 fechamentos de MEIs, enquanto em 2025 esse número subiu para 3.028. Por outro lado, o número de aberturas passou de 4.295 para aproximadamente 5.200 no mesmo período.

Segundo ele, parte desses fechamentos ocorre porque muitos empreendedores retornam ao mercado formal de trabalho, com carteira assinada, ou porque o negócio cresce e deixa de se enquadrar como MEI, passando para a categoria de microempresa. Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, a avaliação é de que o panorama local segue positivo.

Sobre a burocracia, Luiz Fernando destacou avanços importantes nos últimos anos, como a Lei da Liberdade Econômica, que simplificou a abertura de empresas de baixo risco. Essas medidas, segundo ele, tornam o ambiente de negócios mais atrativo e estimulam a expansão econômica no município.

O Projeto Cidade Empreendedora, desenvolvido pelo Sebrae, atua diretamente no apoio ao poder público municipal, auxiliando na criação e consolidação de legislações que facilitam a vida do empreendedor e garantem segurança jurídica aos servidores públicos. O projeto também trabalha em diferentes eixos, como gestão pública, educação empreendedora, inovação, turismo e desenvolvimento econômico.