Manitowoc: ação judicial suspensa e incerteza sobre o futuro da nobre estrutura
A destinação da área da Manitowoc, empresa que deixou de operar em Passo Fundo no ano de 2016, segue mergulhada na incerteza. Por um imbróglio jurídico que se criou a partir da discussão sobre de que forma o terreno e as benfeitorias deveriam ser utilizados, o local se tornou um gigantesco elefante branco na ERS 324, em uma área empresarial nobre de Passo Fundo.
Após a empresa deixar de funcionar, foi protocolada uma ação popular, através do vereador Patric Cavalcanti (DEM), que reivindica o retorno da área ao patrimônio da prefeitura. A justificativa é de que o município doou área e realizou investimentos na infraestrutura para que a empresa se instalasse em 2011. A ação cita que o investimento do município não foi correspondido a partir do mento que a Manitowoc foi embora, deixando de gerar os impostos e empregos prometidos em um protocolo de intenções.
Em 2017, ainda com a ação em curso no judiciário, a Manitowoc realizou uma negociação do empreendimento (área e benfeitorias) com a Comercial Zaffari. O valor extraoficial girava em torno de R$ 40 milhões e incluía R$ 8 milhões de indenização a prefeitura. O anúncio do acordo entre as empresas foi feito no gabinete do Prefeito Luciano Azevedo em novembro daquele ano. No entanto, dias depois, a negociação foi interrompida por uma liminar proferida pela juíza da 1ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública de Passo Fundo,Rossana Gelain. Essa liminar foi mantida no Tribunal de Justiça, que confirmou uma multa de R$ 1,5 milhões de ressarcimento ao município por entender que Manitowoc agiu de má-fé ao negociar uma área que está alienada ao poder executivo.
No despacho mais atualizado, proferido em 4 de abril de 2019, a juíza Rossana Gelain determinou um prazo de 90 dias de suspensão do processo, que se encerra em 14/06/2019, para a retomada da ação. As partes envolvidas, incluindo o proponente da ação que é o vereador Patric Cavalcanti, Ministério Publico, Prefeitura, Manitowoc e a Comercial Zaffari devem se reunir ao fim do prazo de suspensão para uma nova rodada de negociações. A perspectiva de um acordo já não é mais a mesma de meses atrás. O processo parou e as tratativas de conciliação também estão travadas.
A Comercial Zaffari, única empresa que apresentou proposta oficial ainda tem esperança em adquirir a área onde planeja construir um Centro de Operação (Logística, RH, Administrativo e comercial).
O município não se manifesta oficialmente sobre o processo e espera pela decisão judicial. Em 2017, quando a negociação entre a Manitowoc e a Comercial Zaffari foi suspensa, o prefeito se manifestou em entrevista na Uirapuru lamentando o fato de que “uma área onde foram investidos significativos recursos dos passo-fundenses corra o risco de permanecer durante anos ociosa”.