Maior enchente da história de Porto Alegre: barcos estão nas ruas do Centro Histórico da capital gaúcha
Porto Alegre enfrenta momentos dramáticos diante da enchente catastrófica que assola a capital dos gaúchos e é a maior da história, superando a de maio de 1941.
O nível atual do Guaíba está ao redor de 5 metros, excedendo em cerca de 20 cm a 30 cm o pico que foi atingido há oito décadas. A enchente de 1941 foi superada às 21h de ontem, quando o nível do Guaíba atingiu 4,77cm, conforme a Rede Hidrometeorológica Nacional.
A cota superou os 4,76cm registrados na histórica enchente de abril e maio de 1941. Com isso, o ranking das três maiores cheias do Guaíba deste o começo das medições há um século e meio tem agora em primeiro lugar a atual (ainda sem pico), a cheia de 1941 (4,76 metros) e, em terceiro lugar, a cheia de 1873 (3,50 metros). Muitas áreas de Porto Alegre estão inundadas com os moradores buscando refúgio em andares mais altos de prédios e se refugiando na casa de amigos e parentes. Os pedidos de socorro se sucedem. Na Vila Farrapos, moradores buscaram terreno alto na alça de acesso da BR-448 perto da Arena do Grêmio.
No Centro Histórico de Porto Alegre, na parte baixa do bairro, a única forma de trafegar nesta manhã de sábado é por barco. Repetindo as imagens de 1941, o jornalista do Correio do Povo Jonathas Costa registrou em vídeo barcos na Borges de Medeiros entre a Prefeitura e o Mercado Público. A cidade está convulsionada. As águas tomaram conta das áreas baixas do Centro Histórico de Porto Alegre, atingindo prédios icônicos ou de importância para a cidade como a Rodoviária, Mercado Público, Prefeitura, Casa de Cultura Mário Quintana, Margs, Memorial do Rio Grande do Sul, sede do Banrisul, jornal Correio do Povo, e outros. O Guaíba alcançou a Rua dos Andradas, a famosa Rua da Praia, na Praça da Alfândega.
A situação é crítica também no Quarto Distrito. Os bairros Navegantes e a maior parte do São Geraldo estão alagados. O pior ocorre no Navegantes. A MetSul percorreu o São Geraldo na noite e madrugada e a maioria das ruas tinha água. Os alagamentos alcançavam até pontos na última quadra antes da Benjamin Constant. A situação se agrava na zona Norte, onde um dique foi extravasado, o que vai inundar o Sarandi. A Avenida Farrapos, uma das principais vias de entrada e saída de Porto Alegre, e que leva ao Aeroporto e cidades da Grande Porto Alegre, em vários trechos estava alagada por completo com pontos críticos de inundação, como a partir da São Pedro.
O colapso da cidade, além de parar a Rodoviária, agora isola a capital do resto do Brasil por transporte aéreo comercial. Os pousos e decolagens no Aeroporto Salgado Filho foram suspensos por tempo indeterminado na noite desta sexta-feira. A medida, segundo a Fraport, empresa que administra o aeroporto, prevê a segurança de funcionários e passageiros. “Aos passageiros, pedimos que entrem em contato com a sua companhia aérea para mais informações sobre os seus voos”, informa a nota da Fraport.