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Cidade

Mãe de adolescente que se acidentou com 11 jovens admite que não consegue segurar o filho

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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“Fiquei sabendo pela rádio. Quando eu vi que eram os piás aqui da São Luiz eu disse: deve ser um dos meus. Fui atrás procurar e fiquei sabendo que ele estava junto”. Assim começa a conversa da reportagem da Rádio Uirapuru com Teresinha Pereira Duarte. Ela é mãe de nove filhos, entre eles, Leonardo Pereira Duarte, de 16 anos. Ele é um dos 12 jovens que estavam no Kadett que colidiu com caminhão no último sábado (4).

 

Teresinha conta que sempre soube que o filho saia, mas, normalmente ele ficava no Bairro, “ele sempre avisava: mãe eu vou ali em cima que tem um bailinho. Eles sempre iam ali que termina meia-noite, uma hora da manhã, mas ia ali e dali voltava. Fazia uns dois meses que ele não estava saindo, mas daí sábado que ele saiu”. Ela também admitiu que sabia que o filho ingeria bebida alcoólica quando saia, “não adianta dizer que eles não bebem porque a gente sabe que bebem”.

 

Teresinha espera que o fato sirva de lição para os jovens, mas não acredita em grandes mudanças no comportamento, “todos eles estão apavorados, preocupados, porque nasceram de novo né. Foi um milagre o que aconteceu estando dentro do carro e não ter acontecido coisa pior, que isso sirva de lição. Já falamos com eles. Mas piazada é difícil, dali a pouco vão e fazem de novo”.

 

A conversa com o Conselho Tutelar foi marcada para terça-feira (14). Teresinha também vai aproveitar para tratar da situação do outro filho mais novo, Kevin, de 14 anos. Ele já fugiu de casa uma vez e ficou dois dias desaparecido. De acordo com ela, Kevin passou por acompanhamento psicológico, mas tem um temperamento complicado e está “impossível” no colégio.

 

Teresinha disse que de todos os filhos, esses são os que dão mais trabalho, que os outros ela conseguia “colocar rédea”. Mesmo assim, ela assume que parte da culpa no comportamento dos jovens é da família. Teresinha disse que “perdeu” o controle dos filhos há três anos, quando ficou doente e não tinha condições de manter o pulso forte de sempre. Ela acha que foi neste período que os filhos chegaram a conclusão de que “agora a mãe não manda mais em nós”.

 

As dificuldades na educação dos jovens não levaram a mãe a desistir. Teresinha segue insistindo em mostrar o caminho certo para os filhos. “Às vezes, culpamos o conselho, mas claro, uma parte os pais são culpados, mas nem todos também, porque eu sempre dei duro com os meus sempre ensinei eles, mas chega um tempo em que a gente não consegue mais segurar eles, então, às vezes, os pais não são tão culpados também”.

 

Para ela, às vezes, as leis de proteção acabam trabalhando. “Se batermos ‘ah, porque eu vou lá no Conselho’. Então, não podemos nem falar muito alto com eles, não podemos dar umas varadas. Mas se eu acho que tenho que bater, eu surro eles mesmo. Surro porque são meus filhos, se acontecer alguma coisa, se eles roubarem ou fizerem algo de errado vão dizer ‘a mãe que é culpada’. Eu dei uns tapas nesse outro piá mesmo, porque eles tem que aprender que tem que ter responsabilidade, porque eles sabem o que estão fazendo”, desabafa.