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Geral

Lentilhas e carne de porco: alimentos tradicionais marcam a ceia da virada do ano

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

Mais um ano chegando ao fim e vem novamente a hora de pensar na ceia da virada. Dentre os pratos típicos, um que não pode faltar é a lentilha. O alimento, além de nutritivo e saboroso, representa a prosperidade, por isso a tradição de consumir na virada do ano. Mas existem ainda outros itens essenciais à mesa.

Assim como o jantar do Natal, o do último dia do ano também é repleto de significados. A maioria dos alimentos tradicionais são conhecidos por representar riqueza e prosperidade. O arroz, por exemplo, simboliza riqueza, abundância e fertilidade; a lentilha representa a boa sorte e, para alguns, deve ser o primeiro alimento a ser consumido na ceia, logo após a meia-noite, com o objetivo de que não falte dinheiro durante o ano que se inicia.
Mas com tantas delícias e opções, é importante manter a linha de uma alimentação saudável. Isso é possível seguindo algumas recomendações: fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação; utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias; limitar o uso de alimentos processados, consumindo-os em pequenas quantidades; e evitar os alimentos ultraprocessados.

Deve-se ainda preferir alimentos como castanhas, nozes, frutas (pêssego, nectarina, uva, ameixa), leguminosas (lentilha, grão de bico), carnes magras, cereais (arroz, milho), raízes e tubérculos (batata, mandioca), verduras e legumes (alface, tomate, cebola, cenoura, agrião). Com estes e com outros alimentos é possível criar preparações culinárias saborosas e saudáveis como arroz com lentilha, bolo de maçã, salada de folhas cruas, purê de batata, salada de frutas, arroz com castanha de caju, macarrão ao molho de tomate, entre outras.

Tudo isso não quer dizer que a comida não terá sabor. Pelo contrário, é possível oferecer uma ceia muito gostosa e sem gastar muito, como sugere o chef Ricardo Menta. “Para o cardápio da virada, o que eu considero bom e econômico, seria uma arroz a grega: fácil de fazer e econômico. Filé ou alcatra com molho madeira, coloca um champignon pra dar um toque, além da decoração. Para dar sabor, uma lentilha bem feitinha”, destaca.
Para o preparo da lentilha, ele dá as dicas: “deixa de um dia para o outro ou, pelo menos umas 4 horas, de molho na água, depois escorre antes de cozinhar, pra amaciar e tirar aquele amarguinho que tem na lentilha. Para cozinhar é com o dobro de água (se vai cozinhar duas xícaras de lentilha, coloca quatro de água), tempera bem. E também você pode colocar uma calabresa, um bacon, frita uma cebolinha e coloca junto, dá uma bela temperada, uma folha de louro, corrige o sal, deixa tudo muito gostoso. Não precisa de muito sal, porque a calabresa e bacon já tem um salzinho”, explica.

A ceia fica completa com alguns acompanhamentos. Conforme Menta, para incrementar “se sobrou um pouquinho do décimo terceiro, compra um pernil de porco e assa junto e está feito um belo jantar”, pontua. Outra dica é apostar nas frutas: “não podem faltar as frutas, sete tipos, como manda a tradição, que servem pra sobremesa. Como a janta é tarde, não vamos comer uma sobremesa muito pesada, então seria uma rabanada ou frutas. Acho que só as frutas já está de bom tamanho, e uma farofa, bem incrementada com uva passa, banana fica gostoso em farofa, frita uma cebolinha junto com a farinha de mandioca quando vai fazer a farofa. São coisinhas que dão um sabor extra. Daí decora bem a mesa, coloca uma toalha vermelha, uma toalha branca, joga umas nozes e umas castanhas por cima. Essa seria uma ceia econômica e saborosa”, sugere o chef.

Preparando a entrada
O costume mandar comer a ceia à meia-noite, mas para que ninguém passe fome até a hora de ir à mesa, Menta lembra que é bom investir no preparo de uma entrada. “A maioria das pessoas vai comer à meia-noite, que é a hora da ceia, então a entrada é muito especial. A sugestão é fazer uma Quiche Lorraine, que é a verdadeira: quiche vem do alemão, que é torta, e Lorraine é uma região francesa. É muito fácil de fazer: 250 gramas de farinha, a metade de manteira gelada, em cubos, 120g, e uma pitada de sal. Mistura tudo com a ponta dos dedos, fazendo uma farofa. Quando pronta essa farofa, coloca meia xícara de água, também gelada, para homogenizar essa mistura. Depois cobre com um pano e coloca na geladeira, por 15 a 20 minutos. Depois coloca na forma e vai abrindo ela com a ponta dos dedos dentro da forma, até ficar bem fininha e com bordas. Assim está feita a massa”, ensina.

Depois de passado o tempo de descanso da massa e que ela for colocada na forma, Menta lembra que é indicado furar ela no fundo para não subir quando for assar. Em seguida “dê uma leve assada no forno a 180º, uns cinco minutos, para ela começar a dourar. Em separado, frita bacon em cubos numa frigideira, até ficar bem douradinho. Numa tigela bate ovos (para uma quiche vai 4 ovos), 300 ml de creme de leite e meia xícara de queijo ralado. Mistura tudo com o bacon frito, coloca um pouco de sal, um pouco de noz moscada e coloca dentro da massa com a borda e aí leva ao forno. Assa por mais uns 20 minutos, até ficar bem douradinha. Desenforme e pode comer fria, pode servir morna, dando uma preaquecida antes de colocar na mesa e está feita a entrada econômica e deliciosa”, ressalta.