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Transporte

Leilão do Bloco 2 dos pedágios, que abrange Passo Fundo, será investigado em CPI, diz deputado

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

Foi instalada nesta terça-feira a CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A comissão é presidida pelo deputado estadual Paparico Bacchi e terá como principal objetivo investigar os contratos de concessão das rodovias estaduais, buscando mais transparência e proteção aos interesses da população gaúcha. A primeira reunião oficial do colegiado ocorre nesta sexta-feira, dia 19, às 9h, quando serão escolhidos o relator e o vice-presidente, além da aprovação do plano de trabalho.

Ao comentar a instalação da CPI, Paparico Bacchi afirmou que a comissão irá atuar até o último momento para barrar a implantação de novas praças de pedágio no Estado. Segundo ele, o governo estadual pretende instalar 58 novas praças, que na prática resultariam em 116 pontos de cobrança, considerando a tarifação nos dois sentidos das rodovias. O deputado ressaltou que a CPI nasce com forte apoio parlamentar, reunindo 20 assinaturas, inclusive de partidos que integram a base do governo.

De acordo com o presidente da comissão, os trabalhos seguem mesmo durante o recesso legislativo. A CPI deve atuar ao longo do mês de janeiro e iniciar efetivamente as atividades de investigação a partir de 4 de fevereiro. O prazo inicial de conclusão é 13 de abril, mas já há consenso no grupo sobre a necessidade de prorrogação por mais 60 dias, diante do grande volume de informações e denúncias que serão analisadas.

Entre os focos da investigação estão três blocos de concessões. O bloco 3, que abrange a Serra Gaúcha, já em andamento, concentra denúncias de irregularidades nos contratos firmados. O bloco 2, que abrange a região de Passo Fundo,  cujo edital deve ir a leilão em março, também será alvo da CPI, com a intenção declarada de derrubar o edital. Já o bloco 1, que atinge regiões como Vale dos Sinos e Serra Gaúcha, incluindo áreas turísticas como Gramado, é apontado por Bacchi como prejudicial ao turismo, à indústria calçadista, ao setor imobiliário e às famílias que dependem de deslocamentos diários.

O deputado alertou ainda para os impactos sociais e econômicos dos pedágios, citando dificuldades para trabalhadores, estudantes universitários e produtores rurais. Ele afirmou que a CPI pretende acionar a Justiça e o Ministério Público antes de março para tentar barrar os editais. Bacchi criticou a postura do governador Eduardo Leite, que, segundo ele, mantém posição irredutível sobre o tema, apesar do cenário econômico difícil do Estado, com alto endividamento das famílias e dos produtores. Para o parlamentar, a implantação dos pedágios agravaria a crise e afastaria ainda mais pessoas do Rio Grande do Sul.