Lei libera venda de medicamentos em supermercados, mas adesão deve ser limitada a grandes redes, afirma Sincogêneros
A venda de medicamentos em supermercados passa a ser permitida no Brasil após a sanção de uma nova lei pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida autoriza os estabelecimentos a incluírem farmácias ou drogarias dentro de suas estruturas, desde que em espaços exclusivos e separados dos demais produtos. O texto foi publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira (23) e já está em vigor, estabelecendo regras específicas para o funcionamento desses espaços dentro dos mercados.
Ainda no início do mês de março, a reportagem da Uirapuru conversou com representantes da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), que afirmaram que a entidade não é contrária ao projeto, mas entende que o texto não atende plenamente às necessidades do setor, especialmente pelas exigências de estrutura específica e de profissionais qualificados.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o presidente do Sincogêneros de Passo Fundo, Celso Marcolan, afirmou que ainda é cedo para uma avaliação mais precisa sobre a adoção da medida no município. Segundo ele, o setor segue analisando as exigências da nova lei e a viabilidade de implantação. Marcolan destacou que a tendência é de que apenas grandes redes consigam implementar a novidade, já que a legislação exige estrutura específica, como espaço separado e a presença de um profissional farmacêutico responsável. Para ele, supermercados de pequeno e médio porte devem enfrentar dificuldades para se adequar.
Além disso, ele avalia que o custo de implantação pode ser um fator limitante, principalmente pela necessidade de contratação de profissionais e adaptação dos espaços. Apesar disso, reconhece que a medida pode ampliar a concorrência e, eventualmente, contribuir para a redução dos preços dos medicamentos. Por outro lado, Marcolan também pondera que há uma discussão sobre a divisão de atividades entre os setores, defendendo que cada segmento mantenha sua área de atuação. Em Passo Fundo, segundo ele, ainda não há movimentação concreta por parte dos mercados, já que a medida é recente e depende de análise por parte das empresas.