Jornada de Literatura: ouvintes apontam necessidade de ajustar orçamento para manter o evento
Há 34 anos Passo Fundo é palco da Jornada de Literatura, que já reuniu em sua história mais de 600 escritores e milhares de pessoas, professores e estudantes, da cidade e da região. Nesta semana, o anuncio de cancelamento do evento pegou todos os passo-fundenses de surpresa.
Por falta de patrocínio e recursos financeiros, na ordem de R$ 3 milhões, pela primeira vez desde o seu início, a Jornada da Literatura não acontecerá. Embora hajam estudos para se remodelar o evento, a não realização decepcionou a comunidade. Por isso o assunto foi tema do Sem Segredo deste sábado (23).
Será que mesmo com menos recursos a Jornada não deveria ter sido realizada? Discutindo o tema, participaram o reitor José Carlos Carles de Souza, a vice-reitora de Extensão, Bernadete Dalmolin e o escritor e membro da Academia Passo-Fundense de Letras, Paulo Monteiro. O reitor, começou frisando que a Jornada é mais do que a festa literária, destacando que a UPF entende a importância do evento, que transformou Passo Fundo na Capital Nacional da Literatura./ No entanto, no momento de olhar para o projeto da 16ª edição, um belíssimo programa era visível, mas inviável pela falta de recursos.
Desde o início do ano a equipe vinha buscando, inclusive com a sua participação pessoal, recursos, mas o número de negativas era muito grande. Sendo a mais contundente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) que deveria destinar um milhão de Reais. Além disso, ele revela que a antecipação da coordenadora geral do evento, fazendo o anúncio no centro do País, foi como jogar a toalha, em uma situação que ainda não havia sido definida. Apesar disto, ele ressalta que os trabalhos envolvendo as jornadas continuam e que este foi apenas um adiamento, de uma tradição que continuará.
O reitor fez questão de informar que tinham aval Estadual e Federal, para captar por leis de incentivo cerca de R$ 3 milhões, mas o aporte obtido foi muito pequeno.
Já a vice-reitora, reforçou o fato de que a Jornada foi apenas suspensa. Informando que após passarem por esse momento difícil, de economia de recursos, o evento voltará a acontecer. Sobre um projeto com menor orçamento ela registra que isso envolveria outro programa e que não haveria tempo hábil para refazer o projeto para este ano.
O escritor Paulo Monteiro, que sempre acompanhou as edições das jornadas, concorda com a necessidade de um tempo para parar e reavaliar. Lembrando que a situação econômica hoje é complicada, as empresas públicas, em sua opinião, estão acuadas.
Os ouvintes, em sua maioria, apontaram para a necessidade de ajustar o orçamento para que o evento não deixasse de acontecer. Pedindo uma maior participação da Prefeitura e das empresas da região. Revelando que brigas de ego e vaidades não podem interferir nesse grande evento.
Encerrando o reitor informou que muitas empresas locais manifestaram apoio, dentre elas, Azambuja, Farmácias São João, Manitowoc, Coca-Cola, Petrobras, Zaffari Bourbon, Itaipu, Prefeitura e UPF. No entanto, os valores estavam muito distantes do programado. Além disso, informou que uma consultoria já esta trabalhando para 2017, no esboço de plano estratégico, para o novo modelo de Jornada da Literatura.