Inteligência artificial é realidade na saúde de Passo Fundo: HC usa ferramenta para monitorar infecções
O impacto positivo da inteligência artificial no atendimento em saúde de Passo Fundo já é realidade no Hospital de Clínicas -HC. Em entrevista à Rádio Uirapuru, a enfermeira Bruna Tedesco, responsável pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, explicou como a ferramenta auxilia na identificação precoce de pacientes com risco de sepse, que é quando há uma infecção. Atualmente, a instituição registra três casos em acompanhamento com apoio total do sistema. A plataforma utilizada chama-se MUNAI.
Implantada em 2020, inicialmente com o nome de Robô Laura, passou por migração e atualização até chegar ao modelo atual. O sistema está presente em todos os setores de internação do hospital, independentemente de o atendimento ser pelo SUS ou por convênios. De acordo com Bruna, a inteligência artificial está integrada ao sistema de prontuário eletrônico. Ela analisa os cinco últimos registros de sinais vitais do paciente, além de exames laboratoriais, tempo de internação e outras informações clínicas. A partir desses dados, realiza uma avaliação automática e emite alertas em tempo real para as equipes.
Os avisos aparecem em telas instaladas nas unidades de internação. Quando o alerta é amarelo, a equipe tem até três horas para reavaliar o paciente./ Se for vermelho, o prazo é de uma hora. A sinalização indica o leito e o setor onde o paciente está internado, facilitando a ação rápida das equipes de enfermagem e médica. Segundo a enfermeira, como o sistema está vinculado ao prontuário, ele processa as informações assim que são inseridas, aumentando a agilidade na identificação de possíveis agravamentos.
Bruna também destacou que, após o alerta, o paciente é reavaliado presencialmente. A equipe confere novamente os sinais vitais, analisa o quadro clínico e verifica se o aviso condiz com a situação apresentada. Para garantir a correta utilização da ferramenta, todos os profissionais passaram por capacitação específica, incluindo treinamento no protocolo institucional de sepse.
A enfermeira ressaltou que a plataforma permite uma atuação mais proativa. Com suporte de dados em tempo real, as decisões se tornam mais rápidas, reduzindo o risco de complicações graves e contribuindo para a segurança do paciente durante a internação.
A inteligência artificial vai além deste setor no Hospital de Clínicas e está também atuando na farmácia da instituição. Mariane Roman, coordenadora do Serviço de Farmácia do HC, falou com a Uirapuru sobre como esta ferramenta potencializa o atendimento ao público. O Serviço de Farmácia do Hospital de Clínicas utiliza outra solução baseada em inteligência artificial para qualificar ainda mais os processos internos.
Conforme explicou Mariane Roman, a ferramenta chamada “NoHarm” auxilia diretamente na farmácia clínica e na avaliação das prescrições médicas. De acordo com a coordenadora, o sistema permite priorizar as prescrições com base em critérios de segurança do paciente, garantindo mais agilidade na análise. A tecnologia também contribui para identificar possíveis discrepâncias, interações medicamentosas e duplicidades de forma mais rápida e eficiente. Mariane destacou que o uso da inteligência artificial facilita o trabalho da equipe farmacêutica, aumenta a efetividade das avaliações e fortalece a segurança em todo o processo de dispensação de medicamentos. Segundo ela, a inovação tecnológica tem sido uma aliada importante para qualificar o atendimento e reduzir riscos, assegurando que cada paciente receba o tratamento de forma adequada e segura.