Indústria: setor é considerado fundamental para a economia de Passo Fundo
Não é de hoje que a participação do setor industrial tem gerado resultados positivos para a economia de Passo Fundo. Desde o processo de industrialização da cidade e da vinda de novas empresas, por volta dos anos 2000, o município tem garantido um crescimento contínuo ao longo dos anos. Em 2014, obteve a sétima colocação entre as cidades do Rio Grande do Sul com maior participação no Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados do IBGE. O valor de participação em relação a 2013 aumentou em mais de R$ 200 milhões, alcançando os R$ 7,3 bilhões.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Carlos Eduardo Lopes da Silva, a contribuição da indústria é fundamental para a economia da cidade, pois além de gerar emprego e renda, faz de Passo Fundo uma cidade exportadora. “A indústria tem uma participação dentro do PIB do município que ultrapassa os 15%”, afirma, ao fazer uma observação de que esses números são extraoficiais, pois o setor também se mistura com o agronegócio. “Há alguns anos, a contribuição era de menos de 10%, o que é um sinal importante de que o setor industrial tem tido um crescimento no município”.
Uma das características mais marcantes da indústria de Passo Fundo é a diversidade da matriz industrial, que atua fortemente nas áreas metalmecânica, alimentícia, têxtil e de biodiesel. “Esse é um aspecto que devemos comemorar, pois o município possui uma indústria diversificada e não depende apenas de um segmento para ter a sua economia fortalecida”, destaca Carlos Eduardo. Outro aspecto considerado importante é a forte presença de pequenas e médias indústrias, que se somam com as grandes empresas do setor e equilibram o sistema instalado.
A cidade, considerada Capital do Planalto Médio, também possui força nas áreas da saúde e educação, no comércio e no agronegócio. Conforme o vice-presidente de Indústria da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agronegócio (Acisa) de Passo Fundo, Vinicius Roso, esse fator contribui para que o município também se torne um atrativo para quem deseja investir na área. “Passo Fundo é uma ótima cidade para investir nos setores da indústria e logística, na qual se complementam. Estamos bem localizados e os principais fluxos de mercadorias do Estado com o resto do Brasil, com o porto de Rio Grande e com o Mercosul, que passam por Passo Fundo”, afirma, ao salientar. “Precisamos incentivar a indústria em nosso município, pois Passo Fundo é privilegiado pela força em outros setores, mantendo um equilíbrio quando uma dessas atividades não se encontra num bom momento”, pontua Vinicius.
Crise econômica
A recessão econômica que tem afetado o país nos últimos anos atingiu diretamente o setor da indústria, que sofreu consequências graves como queda nos investimentos, baixa na produtividade e diminuição da demanda por produtos industrializados. Passo Fundo chegou a sentir os efeitos da chamada crise. “A indústria foi a primeira atividade a sentir a recessão econômica. Ela que disponibiliza o maior número de empregos e os maiores salários. Com isso, apareceu o desemprego muito elevado, na qual funciona com um jogo de dominó: uma peça derruba a outra e, consequentemente, diminui o poder de consumo da população atingindo outros setores da economia”, afirma o vice-presidente da Acisa.
Porém, o momento pode ser definido como de esperança e otimismo para os empresários, que já percebem algumas mudanças positivas em relação à economia. “Estamos vendo alguns sinais de melhora como a diminuição da taxa de juros, a qual incentiva novos investimentos no setor produtivo, e a inflação abaixo da meta. Esses fatores são os sinais na qual os empresários gostariam de ver para voltar a acreditar no país e, consequentemente, voltar a investir”, salienta Vinicius. “Talvez ainda não seja hora de utilizarmos a palavra comemoração, mas podemos ficar esperançosos com os sinais de melhora de alguns setores diante da catástrofe na qual passamos. Acreditamos que é visível que o momento de recessão está terminando e estamos conseguindo criar fôlego para a retomada”, ressalta.
Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados na semana passada, mostram que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) se mantém estável desde fevereiro. No mês de maio, o ICEI registrou 53,7 pontos, considerando que resultados acima de 50 pontos mostram industriais confiantes. O índice está 12,5 pontos maior do que no mesmo período do ano passado. No entanto, ainda não alcançou a média histórica de 54 pontos.
Incentivo à indústria
Conforme o secretário Carlos Eduardo, a prefeitura tem trabalhado e buscado aprimorar as leis de incentivo à indústria e formalizado um conselho de tecnologia e inovação. “Certamente, esse conselho vai colocar no seu contexto a atividade industrial. A inovação tem fundamental importância nesse momento porque a indústria precisa se reinventar, se adaptar a essa nova economia e a esse novo modelo de consumo”.
Uma questão fundamental para o desenvolvimento da indústria, segundo o Secretário, é ter mão de obra qualificada. Ele destaca a parceria entre a prefeitura, a Acisa e o Senai, que resultou na realização de cursos voltados aos profissionais da área. “Por meio dessa parceria já fizemos cerca de 250 treinamentos com os trabalhadores e temos a capacidade de chegar até 700 pessoas qualificadas, o que contribui para fortalecer o setor industrial”.
Em Passo Fundo, a Acisa é a entidade responsável por representar as indústrias e os empresários. “A entidade busca promover atividades voltadas ao desenvolvimento do setor, focando na defesa dos interesses dos empresários. Além disso, a Acisa está próxima e serve de ligação, representando os associados na FIERGS, indo atrás dos interesses e demandas do setor”, garante o vice-presidente da Acisa.